Era um destacado jornalista da CBS quando , em 1968, criou “60 Minutes”, actualmente o programa mais longo em horário nobre da televisão americana.
A sua carreira jornalística teve mais de seis décadas, quase todas na CBS. Foi Hewitt, por exemplo, quem dirigiu talentos da televisão americana como Edward R. Murrow e Walter Cronkite, morto no mês passado.
Hewitt teve um papel fundamental na cobertura de grandes eventos nacionais e mundiais entre as décadas de 40 à e 60, como o primeiro debate presidencial televisivo, em 1960. Nesse ano, produziu e dirigiu a cobertura -das três cadeias televisivas – do debate entre Richard Nixon e John Kennedy, o que, segundo observadores, passou de imediato para o ecrã todo o peso político da imprensa escrita nos EUA.
O jornalista também foi responsável por diversas inovações na televisão, já que, em 1963, foi o primeiro a produzir noticiários de meia hora e a recorrer ao posicionamento de câmaras em pontos-chave durante convenções políticas, entre outros métodos.
Mas foi, sem dúvida, o programa “60 Minutes” que o coroou no jornalismo televisivo, já que, como comentou em 1995 o falecido e lendário jornalista Roone Arledge, “’60 Minutes” foi o seu verdadeiro monumento. Para ele, Hewitt foi um “líder inovador” e o seu formato “foi copiado no mundo inteiro”.
A ideia e o eventual sucesso de “60 Minutes”, segundo o próprio Hewitt, era produzir o programa como uma espécie de “revista eletrônica”, ao estilo da revista “Life”, mas em três segmentos. O resultado final seria “um pacote de uma hora de realidade”, que pudesse concorrer, inclusive, com as grandes produções de Hollywood.
Vencedor de muitos prémios pela sua carreira, Hewitt aposentou-se como produtor executivo da divisão de notícias da CBS em Junho de 2004 e, posteriormente, participou em vários projectos televisivos, muitos deles fora da cadeia que o acolheu desde 1948.
Sara Palhinha

