Seis Sessões: o filme que escapou do ridículo

(Fotos: Divulgação)

A divulgação desta obra do realizador Ben Lewin jamais poderá ser feita através do seu plot simples. Por outras palavras, quem alguma vez sairia de casa para assistir um filme sobre “um tetraplégico que decidiu perder a virgindade”? Felizmente, este é um filme cheio de surpresas, com um grande trabalho de realização, atores magníficos e a história verídica de Mark O’Brien a resultar num filme surpreendente. “Seis Sessões” foi a grande sensação de Sundance 2012, vencendo dois prémios – incluindo o da audiência (o mesmo que voltou a receber em San Sebastián).

Após contrair poliomielite com apenas seis anos, O’Brien (John Hawkes) ficou restrito a viver dentro de uma câmara de oxigénio, da qual só pode sair três horas por dia. Se ele está longe de estar “feliz” com a sua condição, por outro lado não desistiu de viver: ele é poeta e recém-licenciado em jornalismo. Apesar da sua condição, não é impotente e, de modo algo fortuito, resolve perder a virgindade contratando uma especialista nestes assuntos, Cheryl (Helen Hunt). Ao mesmo tempo, “exorciza” os seus demónios interiores em longas conversas com o padre Brennam (William Macy).

Mark O’ Brien realmente existiu e o argumento de Lewin inspira-se num artigo autobiográfico escrito por ele, “On Seeing a Sex Surrogate“, publicado na revista The Sun, em 1990. Ele já foi o centro de uma curta-metragem vencedora de um Oscar em 1997, “Breathing Lessons: The Life and Work of Mark O’Brien”. O realizador Ben Lewin é, ele próprio, um sobrevivente de poliomielite. Segundo disse a Filmmaker, o seu objetivo era conseguir alcançar em filme a força do artigo original. 


Performances de luxo: John Hawkes

 

Um dos pontos altos da obra são as performances dos protagonistas. Assim como Jennifer Lawrence, John Hawkes foi outro que “entrou no mapa” com “Despojos de Inverno“, que lhe rendeu uma nomeação ao Oscar de Melhor Ator Secundário. A partir daí, sem sair do universo mais alternativo, teve mais duas boas escolhas antes deste “Seis Sessões”: “Contágio”, de Steven Soderbergh, e um dos hits indies de 2011, “Martha Marcy May Marlene”. 

Neste projeto o ator venceu a concorrência no processo de casting ao dar à personagem uma dimensão que Lewin considerou única. Para o realizador, esta só pôde ser encontrada porque o ator ficou realmente entusiasmado pela figura do verdadeiro O’Brien e quis fazer algo à altura. A ideia inicial era utilizar atores com verdadeiras deficiências físicas, mas foi com Hawkes que ele encontrou o que procurava. Há uma química inegável entre o par de protagonistas. Conforme disse Lewin, isto foi algo criado pelos próprios atores, num esforço que ele se limitou a gerir. Hawkes foi nomeado para os Globos, esquecido pelo Oscar e aguarda ainda pelos Spirit Awards. 


Performances de luxo: Helen Hunt

Se alguma vez tive alguma hesitação em relação às cenas de nudez, pensei que está a ficar tarde. Está a ficar tarde na minha vida para me preocupar com as pequenas coisas, para não ser corajosa, para não viver minha vida integralmente e não tentar ser uma artista. Coisas triviais como ‘o quão bom é o meu quarto de hotel‘, ou ‘se tiver que aparecer nua por uns instantes‘, não são relevantes”. Assim justificou Helen Hunt, na Indiewire, a sua performance, que inclui várias cenas de nu frontal.

Depois da fase áurea do final dos anos 90 (que inclui a série “Doido por Ti” e o Oscar por “Melhor É Impossível”, entre outros projetos famosos), ela andou alguns anos relativamente na penumbra. Não é que estivesse inativa: além de dedicar a maior parte do seu tempo à filha, agora com oito anos, também entrou em peças de teatro e alguns filmes que não chegaram a ter uma grande divulgação – incluindo uma mal recebida adaptação de Oscar Wilde, “Uma Boa Mulher” (2004). Neste tempo, também se estreou na realização com “Até que Me Encontrou” (2007) – filme que reunia Bette Midler e Colin Firth no elenco e teve uma receção mediana de público e crítica.

No caso de “Seis Sessões” depois de saber do projeto por uma amiga, o encontro agendado pelo seu agente com Ben Lewin poderia ser a única coisa que a faria dizer não. Como o filme tinha cenas de sexo, o seu receio era encontrar algo de “assustador” por trás do projeto… O que não ocorreu: Lewin pareceu-lhe apenas um homem interessado em contar uma história única. E com Hawkes ligado à produção, tudo se tornou entusiasmante. 

Por ora, aguarda os resultados dos BAFTA, Spirit Awards e Oscar, onde corre por fora – mas se vencesse não seria nenhuma injustiça. 
 
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Realização: Ben Lewin
Elenco: John Hawkes, Helen Hunt, William H. Macy, Moon Bloodgood, Annika Marks, W. Earl Brown. EUA, 2012. {/xtypo_rounded2}

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