Numa das sessões que mais interesse despertava no Ciclo Outsiders organizado pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), o Cinema São Jorge recebeu 7 curtas-metragens provenientes da extensa coleção de títulos curtos que os Safdie executaram ao longo dos anos.
Uma sessão com curtas escolhidas pelos próprios autores como explicou na apresentação do evento o curador Carlos Nogueira, acrescentando que estruturalmente a exibição das curtas estava “dividida” em três blocos.

A energia e forma caótica dos Safdie, que frequentemente nos atropela e encadeia, foi lançada por “We’re Going to the Zoo” (2006), no qual um irmão e uma irmã partem numa jornada a um Zoo, dando pelo caminho boleia a um desconhecido. Seguiu-se “The Back of Her Head” (2007), dedicada a todos os que acham correto atirar coisas às pessoas de vez em quando, onde romance e humor se cruzam num bloco de apartamentos. A curtíssima “There’s Nothing You Can Do”, toda ela filmada num autocarro apinhado onde o choro do bebé serve de rastilho para uma enorme discussão, assinada no mesmo ano de “Prazer em Roubar” (2008), serviu de interlúdio até chegarmos a um dos seus melhores trabalhos, com tiques objetivos de “Clerks”: “The Acquaintances of a Lonely John” (2008).
E é curioso constatar, especialmente neste primeiro grupo de quarto curtas exibdas, a influência tremenda que os Safdie têm no cinema de uma nova dupla de irmãos que invadiu os cinemas este ano com muita loucura e nonsense: os irmãos Harpo e Lenny Guit, cujo “Mother Schmuckers” deu que falar na última edição do Festival de Sundance. Eles próprios já tinham falado ao C7nema dessa influência numa entrevista no Festival de Bruxelas, mas depois de assistir a estes primeiros trabalhos dos Safdie, a ligação ficou mais que óbvia.

Já depois da bem-sucedida longa-metragem “Vão-me Buscar Alecrim” (2009), os Safdie assinaram “John’s Gone” (2010), que carrega em si o selo “Orizzonti” de Veneza, e o bizarro “The Black Balloon“ (2012), também eles exibidos nesta “sessão Safdie” do ciclo Outsiders.
A noite de cinema foi encerrada com “Goldman v. Silverman”, curta que casa com a longa-metragem “Diamante Bruto” e que mostra Adam Sandler e Benny Safdie como performers em pleno conflito nas ruas [ de cartão postal] de Nova Iorque.
No final da exibição ficou a sensação de “barriga cheia” para todos os apreciadores do cinema da dupla, denotando-se não apenas as grandes marcas do seu cinema como uma evolução técnica e criativa, sem nunca quebrar a irreverência que lhes está no DNA.

