Quarta longa-metragem de Jonathan Ogilvie, a sua segunda a ser selecionada para o IFFR (“Lone Wolf” foi exibido na competição Big Screen em 2021), “Head South” é uma viagem nostálgica demasiado familiar à Christchurch, Nova Zelândia, do final da década de 1970, onde o realizador passou a infância e juventude e viveu muitos dos eventos, convenientemente ficcionalizados, que assistimos por aqui.
Assumidamente semiautobiográfico, ao ponto de no filme temos o protagonista a posar nu para comprar o seu primeiro baixo, enquanto na vida real foi o realizador que fez o mesmo para comprar a sua primeira câmara Super 8 mm, no centro deste coming-of-age de forte componente musical temos Angus (Ed Oxenbould), um rapaz que vive com o pai no país do sudoeste do Oceano Pacífico e começa a ver os seus horizontes expandidos quando ouve pela primeira vez os Public Image Limited, uma banda britânica pós-punk formada por John Lydon (ex- Sex Pistols), o guitarrista Keith Levene, o baixista Jah Wobble e o baterista Jim Walker.
Essa expansão de horizontes é traduzida cinematograficamente de forma literal, com uma tela widescreen a ocupar todo o espaço da tela anteriormente comprimido, começando aqui, neste momento, a entrada do miúdo numa nova fase da vida, a qual – como qualquer coming-of-age que se preze – envolve os primeiros interesses amorosos, amizades bizarras e o assumir rivalidades com aqueles que acabam por ser encarados como os pequenos vilões de um filme onde o desejo de afirmação – o “estou aqui” – é a locomotiva da história.
Filmado com carinho e destreza por Ogilvie, que em jovem teve a sua própria banda pós-punk, os Youth For Christ, “Head South” tem, contudo, problemas estruturais do guião, com consequência no ritmo e personagens, algumas das quais pouco exploradas, como as duas raparigas que se tornam objeto do desejo do rapaz: Holly (Roxie Mohebbi), a “cool” simplesmente por existir; e Kirsten (Stella Bennett), a “nerd” que afinal é “cool” pela habilidade musical.
Em sentido oposto, esta “dramédia” assume um interesse particular para o público neozelandês, uma espécie de “Conta-me Como Foi” punk-pop que não só recria espaços de uma cidade desaparecidos no terremoto de 2011, mas captura uma a atmosfera de cisão intergeracional, mas igualmente intrageracional, com a juventude punk a separar-se da matilha. E essa afirmação punk geracional traduz-se numa estética desunida e artesanal, que mais que dar uma identidade muito própria ao filme transforma-o num objeto de sabor e visual demasiado familiar, apenas cortado pela tragédia surpreendente que enche o ecrã no último terço.

















