Rachel McAdams e Selma Blair contam como foram assediadas por James Toback

(Fotos: Divulgação)

As atrizes Rachel McAdams e Selma Blair falaram à Vanity Fair sobre situações em que foram sexualmente assediadas por James Toback. A dupla junta-se assim a Julianne Moore e a mais de duas centenas de mulheres que acusam o diretor e argumentista.

McAdams diz que conheceu Toback na escola de teatro quando tinha 21 anos. Depois de fazer uma audição para Harvard Man (2001), o realizador alegadamente convidou-a para discutirem o papel frente-a-frente, pedindo que ela deixasse o seu número de telefone. McAdams diz que Toback telefonou-lhe naquela mesma noite e convidou-a para o quarto do hotel, alegando que ia-se embora na manhã seguinte. 

James Toback

Eu realmente não queria ir“, disse McAdams à publicação, acrescentando que lá cedeu e dirigiu-se ao local: «fui ao quarto e ele tinha uma série de livros e revistas no chão. Convidou-me a sentar no chão, o que era um pouco estranho. Muito rapidamente, a conversa tornou-se bastante sexual e ele disse: ‘Sabes, tenho de te contar isto. Masturbei-me várias vezes hoje a pensar em ti desde que nos conhecemos na audição’. Depois começou o tipo de conversa manipuladora sobre, “Quão corajosa você é? “Até onde estás disposta a ir como atriz? Eu quero construir alguma intimidade entre nós, porque temos que ter um relacionamento de confiança e essa é uma parte muito difícil”.

McAdams acabaria por deixar Toback antes que qualquer ataque físico ocorresse e quando contou o que aconteceu à sua agente, na manhã seguinte, esta afirmou: “Não posso acreditar que ele fez isso outra vez. Não é a primeira vez que isso aconteceu. Ele fez isso da última vez que esteve na cidade. Ele fez isso com uma das minhas outras atrizes”. Foi nessa altura que a atriz questionou porque não foi avisada de nada: “Senti que fui lançada para o covil do leão e não fui avisada que ele era um predador. Ele já era conhecido por fazer isso. Fiquei tão surpresa“, conclui.

Já Selma Blair teve uma experiência similar com o Toback depois de terminar Cruel Intentions. Os representantes da atriz organizaram uma reunião com o diretor, que alegadamente recusou encontrar-se com ela no lobby do hotel. Blair foi até ao quarto do cineasta e diz que as coisas ficaram desconfortáveis, alegando que Toback começou a falar sobre querer criar uma “conexão real” com ela, pedindo para ela ler os diálogos nua: “Porque precisaria a minha personagem de estar nua? Ela é advogada num tribunal”, questionou a atriz, tendo como resposta: “Porque eu preciso ver como seu corpo se move. Quão confortável você está com o seu corpo. É aqui que eu começo a treinar-te“.


Selma Blair com Sarah Michelle Geller em Cruel Intentions. Geller viria a trabalhar com Toback em Harvard Man. 

Eventualmente a situação evoluiu até que Toback se masturbasse contra a perna da atriz, obrigando-a a olhá-lo nos olhos: “Eu senti nojo e vergonha, como se ninguém jamais me visse como “limpa” depois de estar tão perto do diabo. A sua energia era tão sinistra“.

Blair, que colaborou na peça jornalistica do Los Angeles Times que dava conta de 38 mulheres assediadas, com a condição do seu nome não ser divulgado, disse ainda à Vanity Fair que Toback ameaçou a sua vida após o encontro, que ela situa em 1999. Nos quase 20 anos que se seguiram, a atriz apenas contou  a duas pessoas a sua experiência: “Depois que ele terminou, disse: ‘Há uma garota que foi contra mim. Ela ia falar sobre algo que fiz. Eu vou te dizer, e isto é uma promessa, se ela alguma vez diz a alguém, não importa quanto tempo ela pensa que passou, eu tenho pessoas que a irão puxar para dentro de um carro, sequestrá-la e atirá-la ao rio Hudson com blocos de cimento nos pés. Percebes o que estou a dizer, certo?’“.

A atriz explica ainda que “quando ele chamou as mulheres de mentirosas e disse que não se lembrava dos encontros e que o comportamento descrito não poderia ser atribuído a ele” sentiu uma fúria e a obrigação de falar em público.

Contactado pela Vanity Fair, Toback não quis comentar estas acusações. Recorde-se que o cineasta, atualmente com 72 anos, disse ao LA Times após a divulgação de 38 mulheres que o acusavam de assédio, que seria “biologicamente impossível” – nos últimos 22 anos – ter tido esses comportamentos, isto devido à medicação que toma, a problemas cardíacos e aos diabetes.

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