
A atriz Jessica Chastain, que fez parte do júri do Festival de Cannes este ano, criticou a forma como as mulheres são retratadas no cinema, afirmando que a maneira como as personagens femininas foram apresentadas nos filmes que viu no certame é “perturbante”.
As declarações surgiram na conferência de imprensa do júri do festival, algumas semanas depois de a mesma ter afirmado que eram necessárias mais mulheres no mundo da crítica cinematográfica: “Esta é a primeira vez que vejo 20 filmes em 10 dias, e eu adoro filmes. A única coisa que tirei desta experiência é como o mundo vê as mulheres e como as personagens femininas estavam representadas “, afirmou, acrescentando que só quando forem incluídas mais mulheres a contar histórias, as personagens femininas serão mais parecidas com as mulheres que conhece no seu dia a dia: “proativas, com o seu próprio ponto de vista e não apenas alguém que reage aos homens em seu redor”.
Recorde-se que Cannes tem sido frequentemente criticado pelo seu tratamento em relação às cineastas, nem que seja pelo facto de até hoje, nas suas 70 edições, apenas uma mulher tenha ganho a Palma de Ouro: Jane Campion, por O Piano.
Este ano o Festival distinguiu algumas cineastas, como Lynne Ramsay, vencedora do melhor argumento por You Were Never Really Here; Léonor Serraille, prémio Caméra d’Or por Jeune Femme; e Sofia Coppola, distinguida com a melhor realização por The Beguiled. A vitória de Coppola fez dela apenas a segunda mulher a ganhar este prémio no festival, isto depois de Yuliya Solntseva ter conquistado semelhante prémio em 1961 pelo seu trabalho em Crónica dos Anos de Fogo (1961).

