
Os portugueses fogem do seu cinema. Este “cliché” encontra nos dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) do ano de 2016 os números para deixar de ser uma frase feita e passar a ser um facto.
Segundo dados do ICA, e no que toca a receitas brutas, apenas 2,1% das receitas globais do box-office estão ligadas a produções nacionais, enquanto apenas 2,3% dos espectadores totais de 2016 – 348.319 espectadores – viram um filme português. Este é o valor mais baixo desde 2011 (cerca de 104.442 espectadores) e mostra que é difícil encontrar outro país europeu com tal desconexão entre o cinema nacional e o seu próprio público.
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Se pensarmos em termos globais, os espectadores das produções nacionais exibidas em 2016 são inferiores ao resultado do 5º filme mais visto do ano nas salas: Deadpool, que conseguiu 361.637 espectadores. Mas há mais. Mais de metade do público de cinema português registou-se em apenas um filme: A Canção de Lisboa (cerca de 187 mil espectadores).
Estes números mostram o desinteresse em geral do público português em relação ao seu cinema, sendo difícil encontrar na Europa casos semelhantes. Em Itália, a quota de visualização de produções nacionais quedou-se pelos 20%, enquanto as produções independentes do Reino Unido ficaram em torno de 10,5% (para além dos blockbusters em colaboração com Hollywood). Em Espanha, o valor chega aos 14%, na Alemanha é de 40% e em França cerca de 50%, de acordo com o Observatório Europeu do Audiovisual (via El Pais).
O problema estende-se igualmente ao cinema europeu em geral. Do total de espectadores de 2016, cerca de 15 milhões, apenas 8,9% viram uma produção totalmente europeia. Esse valor sobe para 11,2% quando falamos em coproduções entre a Europa e os EUA. Quando se pegam em produções norte-americanas, com os filmes de Hollywood à cabeça, o valor sobe para os 78,8%.

