“Kinyarwanda” segue o genocídio do Ruanda em 1994, apresentando meia dúzia histórias verdadeiras de pânico, terror e com extrema violência envolvida, viajando entre os tempos da sangrenta batalha entre Hutus e Tutsis e a vida após o conflito dez anos depois, num período em que se procura uma reconciliação entre os grupos étnicos.
Sendo a primeira obra produzida por ruandeses sobre a matéria, era de esperar uma compaixão e um rol de sensações exacerbadas, coisa que acontece, mas porque os factos são mesmo terríveis e qualquer relato deles naturalmente nos afecta a nós. A questão é que por diversas vezes o filme se perde em discussões redundantes e desritmadas, sendo também uma obra que tenta, de forma ambiciosa, falar e retratar demasiados dramas e situações, mas tendo muito pouco tempo para mostrar realmente uma visão global do problema.
E apesar das histórias que apresenta descreverem de forma global um sentimento, elas não conseguem suster todo o peso do filme, não pelo teor do que apresentam, mas pela forma. Este é o lado mau da ambição, quando os meios falham para atingir um determinado fim
Assim, “Kinyarwanda” acaba por ser um importante documento sobre a matéria, e um importante passo da produção local, mas em termos de eficácia narrativa e ritmo, a obra fica bastante aquém do que se esperava e se desejava….
★★☆☆☆ Mark D. Clark

