
Não, Bobby Fischer não tem nada a ver com Scott Pilgrim, apesar de ambos terem problemas com quase toda a gente que os rodeia. E se ver um filme sobre um genial jogador de xadrez parecer o pior plano para uma ida ao cinema, o último trabalho da veterana realizadora de documentários Liz Garbus é tudo, menos tedioso.
Na realidade, estamos perante um trabalho bem conseguido, juntando raras imagens de arquivo e recolhendo depoimentos que nos levam a conhecer Bobby Fischer, uma criança prodigio que se torna um dos simbolos máximos da América quando ‘vai lutar pela democracia num jogo de xadrez’ contra o russo Boris Spassky.
Transformado em herói, este solitário de clara arrogância não reage bem à fama, e por entre fortunas e desgraças, ele acaba por cair numa rede intensa em que sempre foi um peão sem protecção parental – sendo particularmente penoso ver a sua queda na paranóia, que envolve diversos comentários anti-semitas, mesmo sendo a sua mãe judia
Complementando as imagens de arquivo com entrevistas variadas, que vão desde especialistas em Xadrês, até familiares e fotógrafos, o grande triunfo do filme é orientar o espectador para os pequenos detalhes de um problemático mas brilhante homem, que acabaria mais por ser uma vítima de si mesmo, do que daqueles de quem mais temia.

