Críticas de Sundance: ‘Attenberg’ desilude

(Fotos: Divulgação)

Os entusiastas de cinema artístico, e fãs de cinema europeu descomplexado com o se pensa deles, provavelmente vão adorar este “Attenberg”, um filme de  Athina Rachel Tsangari, uma cineasta grega que afirma que o seu filme é sobre quatro pessoas, que por vezes se vê reduzido a duas e a espaços a três.

E não existe mais nada no mundo deste filme que essas pessoas, filmadas de forma quase cirurgica em busca das suas reacções animalescas e instintivas, como se de um estudo de ratos em laboratórios se tratasse, ou de uma observação do fenómeno animal ao estilo do que Sir David Attenborough fazia na sua observação das espécies da natureza. Aliás, o nome do filme vem da má pronunciação do nome  Attenborough, um simbolismo como tantos num filme acima de tudo que tenta à força ser artístico e experimental, mas que esbarra na mera obra presunçosa que faz furor com os críticos em festivais, e pouco mais.

O problema é que na realidade essas interacções são muito pouco humanas, pois a própria cineasta parece focada em retirar ao espectador verdadeiras sensações para além das atitudes mecânicas, como se de um estudo laboratorial se tratasse. Para ajudar a isso, os cenários escolhidos são do mais impessoal possível, mostrando apenas  ao de leve as bases de onde estas personagens provém, sendo a colagem de sequências, em termos de estilo, desconexa e sem procurar sequer que o espectador entre dentro do espírito do que vê. Se apresentas algo de forma impessoal e distante, então assim o veremos também. E quando, bem perto do filme, se vislumbra uma chama emocional nos ditos animais em cativeiro cinematográfico sob a égide  de Athina, já é tarde demais.

Se procuram aqui outro “Dogtooth” desenganem-se. Aqui só vão encontrar a produtora (Athina) e o realizador (Lathimos) desse filme.
 
 Lauren Boyd
 

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