Críticas de Sundance: ‘Pariah’ por Mark D.Clark

(Fotos: Divulgação)

Apesar de nunca fazer por isso, é quase impossível ver “Pariah” e não nos vir à memória “Boys Don’t Cry” e “Precious”, obras  que explodiram em Sundance em anos anteriores e que viriam a conquistar diversos prémios em outros tantos certames. E esse falso truque do nosso subconsciente não está directamente ligado à história desta fita, mas nas sensações que durante o visionamento da obra nos remetem a eles.

“Pariah” é centrado em Alike, uma rapariga de 17 anos em pleno auge de decisões sexuais, no que diz respeito à oficialização do seu lesbianismo. “Pariah” é uma obra semi-biográfica da sua realizadora, Dee Reese, que o Sundance Institute decidiu transformar em filme depois de visionar algum material que ela tinha filmado para a sua tese na Universidade de Nova Iorque (sob tutela de Spike Lee).

 
E percebe-se esse apoio, pois este é o típico filme presente e apoiado pelo Festival/Instituto, onde uma cineasta faz um estudo de personagens de forma intima, perturbante, muitas vezes constrangedora, numa emancipação de uma adolescente que caminha para a idade adulta, enquanto tenta encontrar ou revelar a sua identidade sexual sem provocar estragos no que a rodeia. É uma ‘coming out of age story‘, se preferirem.
 
Destaque para as interpretações, todas fulminantes, a cinematografia – vivida e muito real – e o tom com que o filme lança diversas questões, não só sexuais, mas típicas das adolescências e das relações familiares. Só quem passou por isto, ou  quem possui uma rara sensibilidade,  consegue levar estas emoções sem criar dramas chorões no grande ecrã.

Já quanto às suas perspectivas no mercado, dificilmente o filme encontrará um espaço realmente comercial, sendo porém uma aposta forte que os  festivais de todo o mundo (e não só os LGBT) deverão executar nas escolhas da sua programação para 2011.

★★★★☆ Mark D.Clark

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