“O festival é mais que estes 10 dias e reflecte tudo o que acontece no Sundance Institute”
O grupo, através de Robert Redford, começou logo por apresentar o Festival, curiosamente desvalorizando-o, apesar de esta ser a 30ª edição. Para eles, o Festival é apenas uma parte do trabalho anual desenvolvido pelo Instituto Sundance, que tenta há três décadas “criar novas vozes, no cinema” e “fazer o que pode para criar oportunidades para novos autores”.
Entre a nostalgia dos tempos passados e o presente, foi um Robert Redford amistoso que se apresentou nesta conferência com os jornalistas, ainda que com alguns problemas em identificar quem o questionava, mas sempre confiante no trabalho desenvolvido até aqui.
Mas se a ideia inicial era desvalorizar o festival em detrimento da importância que têm os “Laboratórios” de Sundance, é óbvio que o evento acaba por ser a maneira de apresentar essas obras apoiadas pelo Instituto. Sobre isso o trio demonstra ser esse, actualmente, o maior desafio. “Levar Sundance para fora destas fronteiras era um objectivo”. Nesse aspecto muito têm contribuído as extensões digitais do evento que percorrem diversas cidades americanas, o Sundance Channel e a apresentação de curtas-metragens no Youtube, que permitiram ao certame passar as fronteiras dos EUA e atingir o mundo inteiro. A chamada de cineastas estrangeiros para o Laboratório, e novas parcerias com diversas instituições – que permitem, não só a divulgação de autores menos conhecidos, como fomentar o diálogo em torno das obras, são outros dos elementos que o trio vangloria.
Já sobre as temáticas que envolvem as escolhas da programação, e a crítica lançada (até por antigos participantes do evento) que o Festival se tornou demasiado comercial, Redford desvaloriza, e acha que essas vozes do contra estão mais ligadas ao que acontece paralelamente ao Festival, que aos filmes apresentados nele. “Nós não programamos pelo tom comercial dos filmes, mas por ideias. Não concordo que se tornou mais comercial. Fazemos o mesmo há 25 anos. Criar oportunidades e dar aos realizadores a hipótese de os filmes serem vistos. Depois disso, já não depende de nós.”
O mesmo se passa com a temática dos filmes e as acusações de alguma activismo social embutidos nas películas seleccionadas. Sobre isso, o trio acrescenta que “ a politica de programação extravasa as ideias politicas” e que são mostrados filmes de todo o país, de onde quer que eles venham, sejam dos Estados Vermelhos (Republicanos) ou Azuis (Democratas). Redford foi mais longe e deu a entender que a sua visão e a do Festival não são assim uma só. “Do ponto de vista pessoal, o activismo faz parte da minha vida, não o nego. Fez parte dos filmes que fiz, mas em termos de festival, nós não nos focamos num tema ou noutro”, pois também não se sabe, ano após ano, que tipo de filmes vão aparecer. “Algo que acontece frequentemente é o jornalista preguiçoso questionar qual são os filmes que estão a gerar alarido – E eu digo, porque não se levanta e vem ate cá ver. Sundance é um sitio onde aparecem temas e as pessoas devem ver o que temos para mostrar. Nós não seguimos nenhum perfil ideológico [no programa]”, concluiu.
No que toca a outros festivais que surgiram, de certa maneira apoiados pelo sucesso de Sundance, como Slamdance, Redford retrocedeu um pouco na sua opinião, não os considerando mais uns “parasitas” que aproveitavam apenas os filmes que tinham sido rejeitados em Sundance. “O que eu disse no inicio era que o festival [Slamdance] parecia ter sido criado para pessoas cujo trabalho tinha sido rejeitado aqui . Desde então não tive nenhum problema com o evento.” Redford prosseguiu então revelando que foram submetidos 4000 obras este ano, sendo interrompido por Cooper que afirma terem sido 10 mil as submissões. “Só podemos mostrar alguns filmes, pelo nosso espaço e tempo, por isso não tenho nenhum problema que o produto seja mostrado noutros locais pois certamente ajudam os cineastas. Por tal, não sinto isso (de esses festivais serem parasitas) […] e desejo-lhes o melhor.”
E quando é que Robert Redford se reforma, questionou uma jornalista, citando outras personalidades como Larry King, que este ano se decidiram reformar. Redford diz que já pensou nisso, mas que ainda há trabalho para fazer, deixando porém no ar, sem ser completamente explicito, que Cooper ou Karen seriam substitutos à altura.
O Festival de Sundance vai decorrer de 20 a 30 de Janeiro em Park City. Podem acompanhar no c7nema a cobertura do certame.

