“Lebanon” triunfa em Veneza

(Fotos: Divulgação)

Um filme israelita sobre o Líbano venceu o Leão de Ouro, o principal prémio no Festival de Veneza. “Lebanon”, realizado por Samuel Maoz a partir de eventos reais presenciados pelo próprio, é um filme sobre a guerra de 1982, sobre a invasão do Líbano por tropas israelitas. A obra é encenada no interior de um tanque de guerra que leva quatro jovens israelitas ao território libanês. O que vemos “de fora” é através da câmara que guia o tanque e dos ruídos que chegam ao interior do veículo.

 
“Líbano” é mais um filme destinado à controvérsia, não em termos de crítica (praticamente unanime), mas pela temática. Na entrevista colectiva, ouviu-se a crítica de uma jornalista libanesa,
acusou o filme de “propaganda pró-Israel ao ver apenas um lado da questão”.

Já o Leão de Prata, prémio para melhor realização, foi para iraniana Shirin Neshat, responsável por “Zanan Bedoone Mardan” (“Mulheres sem Homens”). A história recua aos anos 50 para mostrar que a opressão à mulher iraniana vem dos tempos do Xá, prossegue na revolução islâmica de Khomeini e não apresenta progressos na era Ahmadinejad.

Neshat chegou à cerimónia de entrega de prémios com um lenço verde (cor dos seguidores de Musavi), e dedicou o prémio “à liberdade e à democracia”. “É uma mensagem ao mundo e ao meu país”,acrescentou Neshat.

No que toca a actores, os premiados foram Colin Firth e a russa Kseniya Rappoport. Firth vive o papel de George Falconer, um professor homossexual que sofre com a lembranças da morte do namorado num acidente de trânsito. Com o nome “A Single Man”, este filme marca a estreia do costureiro americano Tom Ford como director.

Já Kseniya Rappoport foi galardoada pela sua actuação em “La Doppia Ora”, uma obra do italiano Giuseppe Capotondi. No filme, a russa interpreta Sonia, uma empregada eslovena de um hotel em Turim que se envolve em roubos para conseguir o dinheiro suficiente para recomeçar uma vida nova em Buenos Aires.

O Prémio Especial do Júri ficou para um habitué em galardões, o alemão de origem turca Fatih Akim, que levou a Veneza “Soul Kitchen”, a história de um rapaz de família grega que mantém um restaurante charmoso e precisa conservá-lo diante de muitas dificuldades.

Jorge Pereira

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