
De acordo com um artigo publicado na Variety, o conflito israelo-palestino está a inspirar – finalmente – uma série de filmes locais e mundiais sobre o tema.
Já aqui no c7nema tínhamos falado de “Miral”, um filme que terá a assinatura de Julian Schnabel (“Basquiat” e “Scaphandre et le papillon”) e que é baseado parcialmente no livro de Rula Jebreal, sobre a vida de Hind Hussein.
Passado em Jerusalém, em 1948, esta obra segue a história de quatro mulheres (Hind, Nadia, Fátima e Miral) e reflecte sobre a história de um povo em busca de reconhecimento, dignidade e autonomia. O foco central será, porém, uma enfermeira que criou o orfanato de Dar Al-Tifi.
No elenco contamos com Hiam Abbass (“Paradise Now”, “The Visitor”, “Lemon Tree”) e Freida Pinto (“Slumdog Millionaire”).
Entretanto, Hal Vogel – o produtor de “Endgame” – está a desenvolver “1948”, uma mini-série sobre a partição da Palestina e a fundação do Estado de Israel.
Já Andy Harries – produtor de “The Queen” – prepara “Gaza”, um filme que contará com Helen Mirren como uma mulher judia cuja filha jornalista é morta enquanto cobre eventos na Faixa de Gaza. Este filme, de acordo com o produtor, seguirá um lado mais humano e não tão político sobre o conflito.
Entretanto, a brasileira Katia Lund (“Cidade de Deus”) vai dirigir “Dancing Arabs”, uma adaptação ao grande ecrã da obra autobiográfica de Sayed Kashua – que irá escrever também o argumento. Neste filme acompanhamos o que é um árabe crescer em Israel e a formação da sua identidade.
Os trabalhos desta obra – com orçamento a rondar os 3 milhões de Euros – começam já em Junho, sendo de esperar que, tal como em “Cidade de Deus”, sejam utilizados actores não profissionais ou pouco conhecidos.
No que ainda toca a cineastas mundiais, destaque ainda para “Promised Land”, um filme que terá a assinatura de Michael Winterbottom e que é baseado numa história de Graham Greene. Nele seguimos a Palestina no final da 2ª Guerra Mundial.
No que toca a visões internas do conflito, podemos destacar duas obras.
A primeira é “Ajami”, um filme do Palestino Scandar Copti e do Israelita Yaron Shani – presentes em Cannes. O filme acompanhará gangs na cidade multicultural de Jaffa e, de acordo com os cineastas, “o fundo político não é interessante” . “Tudo o que tínhamos a dizer sobre o conflito está neste filme”, acrescentaram.
Finalmente, Najwa Najjar criou “Pomegranates and Myrrh”, estreado em Março na faixa de Gaza e proibido pelas forças do Hamas. A realizadora foi mesmo considerada persona non grata e banida localmente.
O filme segue o romance proibido de uma Palestina recém-casada – cujo marido está detido – e o seu professor de dança. O filme provocou a ira dos militantes do Hamas, que acusam a cineasta de denegrir a causa dos seus prisioneiros de guerra – como eles afirmam.

