“Los Domingos” ganha a Concha de Ouro em San Sebastián

(Fotos: Divulgação)

Oriundo da própria Espanha, Los Domingos (2025), de Alauda Ruiz de Azúa, venceu a disputa pela Concha de Ouro, uma das distinções mais cobiçadas pela indústria cinematográfica, entregue anualmente desde 1953, no norte daquela nação ibérica pelo Festival de San Sebastián. O evento fechou a sua edição número 73 este sábado, a celebrar o retrato de uma adolescente que abraça o noviciado, para surpresa da sua família.

A decisão foi tomada por um júri presidido por J.A. Bayona, realizador catalão de 50 anos, famoso por O Impossível (2012) e A Sociedade da Neve (2023). O grupo que avaliou as produções em concurso, ao lado dele, contou com Laura Carreira, cineasta portuguesa radicada em Edimburgo, Escócia; Gia Coppola, realizadora e argumentista americana; Zhou Dongyu, atriz chinesa; Lali Espósito, cantora, atriz, dançarina e modelo argentina; Mark Strong, ator britânico; Anne-Dominique Toussaint, produtora cinematográfica belga, fundadora da Les Films des Tournelles.

Partiu dessa agremiação de artistas um Prémio Especial do Júri para Historia Del Buen Valle (2025), do catalão José Luis Guerín. Com ela, Donostia viu a luta do povo de Vallbona, um bairro pobre de Barcelona.

Em 2021, Donostia aboliu as categorias Melhor Atriz e Melhor Ator, a fim de evitar sexismos e incluir a discussão identitária do não-binarismo. A partir de então, ao fim do evento, entregam-se sempre duas estatuetas de Melhor Interpretação no rol de distinções oficiais. Uma vai para um trabalho de protagonista. No caso dos concorrentes desta edição, foi eleita a chinesa Zhao Xiaohong, por Her Heart Beats In Its Cage (2025), um drama sobre uma presidiária que sai do cárcere e procura exercer o seu papel de mãe. A sua conquista foi Ex Aequo com José Ramon Soroiz, coroado pelo seu retrato da resiliência contra o etarismo em Maspalomas (2025), comédia queer.

A outra estatueta destinada a boas interpretações foi para estrelas secundárias. O destaque deste ano no quesito foi Camila Plaate, por Belén (2025).

Um dos raros festivais do círculo de gala do Velho Mundo (onde estão Berlim, Cannes, Locarno, Roterdão e Veneza) a galardoar a Melhor Direção de Fotografia do seu certame, San Sebastián premiou os enquadramentos de Pau Esteve em Los Tigres (2025). Na avaliação do melhor argumento de 2025, a confraria de Bayona votou em favor de Joachim Lafosse e do seu Six Jours Ce Printemps-Là (2025), para levar a Concha destinada aos argumentos. Ele foi ainda agraciado com a distinção de Melhor Realização pela delicada investigação de uma mulher que leva os filhos a uma temporada na casa dos avós deles — sem pedir autorização.

Deliberado por um júri paralelo ao de Bayona, do qual fez parte a produtora carioca Tatiana Leite, o resultado da secção Horizontes Latinos foi dos mais favoráveis à Colômbia, que venceu com Un Poeta (2025), realizado por Simón Mesa Soto. Houve ainda menção honrosa para Hiedra (2025) e Un Cabo Suelto (2025). Também julgado por um coletivo à parte, o prémio da secção de tom mais experimental Zabaltegi-Tabakalera parou nas mãos de Lucile Hadzihalilovic por La Tour de Glace (2025, França), com menção honrosa para Blue Heron (2025, Hungria/Canadá) e Prix Coup de Coeur para Duas Vezes João Liberada (2025), de Portugal, que celebra a pluralidade de géneros. A vitória do concurso New Directors foi para Weightless (2025), de Emile Thalund (Dinamarca).

No encerramento, San Sebastián projetou o suspense anglo-polaco Winter of the Crow (2025), da realizadora Kasia Adamik, com Leslie Manville, diva do teatro em Londres. Com base literária, a fita narra os perigos enfrentados por uma professora que acaba perseguida num cerco comunista na Varsóvia de 1981, onde fotografou um crime federal por acidente.

Terminada a competição de Donostia, o circuito mundial das mostras do audiovisual segue agora para o Brasil, onde se dividirá, ao longo dos próximos 30 dias, entre o Festival do Rio (2 a 12 de outubro) e a Mostra de São Paulo, que começa a 15, com Sirât (2025), de Oliver Laxe.

Lista de prémios

  • Concha de Ouro: Los Domingos (2025), de Alauda Ruiz de Azúa (Espanha)
  • Prémio Especial do Júri: Historias Del Buen Valle (2025), de José Luis Guerín (Espanha)
  • Realização: Joachim Lafosse, por Six Jours Ce Printemps-là (2025)
  • Interpretação (Protagonista): Zhao Xiaohong, por Her Heart Beats In Its Cage (2025), Ex Aequo com José Ramon Soroiz, por Maspalomas (2025)
  • Interpretação (Secundária): Camila Plaate, por Belén (2025)
  • Argumento: Chloé Duponchelle, Joachim Lafosse e Paul Ismaël, por Six Jours Ce Printemps-là (2025)
  • Fotografia: Pau Esteve, por Los Tigres (2025)
  • Prémio Cidade de Donostia de Júri Popular: The Voice of Hind Rajab (2025), de Kaouther Ben Hania (Tunísia)
  • Prémio Cidade de Donostia de Júri Popular Melhor Filme Europeu: Amélie et la Métaphysique Des Tubes (2025), de Maïlys Vallade e Liane-Cho Han
  • Prémio Horizontes Latinos: Un Poeta (2025), de Simón Mesa Soto (Colômbia), com menções para Hiedra (2025, Equador) e Un Cabo Suelto (2025, Argentina)
  • Prémio New Directors: Weightless (2025), de Emile Thalund (Dinamarca)
  • Prémio Zabaltegi-Tabakalera: La Tour de Glace (2025), de Lucile Hadzihalilovic (França), com menção honrosa para Blue Heron (2025, Hungria/Canadá) e Prix Coup de Coeur para Duas Vezes João Liberada (2025, Portugal)
  • Prémio RTVE Otra Mirada: Las Corrientes (2025), de Milagros Mumenthaler, com menção honrosa para Belén (2025)
  • Prémio Culinary Cinema: Mam (2025), de Nan Feix (França)
  • Prémio Irizar ao Cinema Basco: Los Domingos (2025), de Alauda Ruiz de Azúa
  • Prémio Cooperação Espanhola: Historias Del Buen Valle (2025), de José Luis Guerín
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