Uma nova entrevista ao realizador de culto

“A minha rotina é praticamente a mesma, como era antes.“, disse o realizador numa entrevista à Vice há umas semanas. Agora, numa entrevista ao The Hollywood Reporter, David Lynch voltou a falar dos tempos em que vivemos, afiançando que “gosta do isolamento”. O realizador foi ainda questionado sobre alguns temas do cinema atual, nomeadamente no que toca à nova versão de Dune, que Denis Villeneuve vai levar às salas: “Tenho zero interesse no filme (…) [a versão que realizou nos anos 80] foi uma dor de cabeça para mim. Foi um fracasso e não tive o Final Cut. Já contei esta história um ilhão de vezes. Não é o filme que queria fazer. Eu gosto muito de certas partes – mas foi um fracasso total para mim.“
Lynch lembrou ainda a beleza de ter apresentado Um Coração Selvagem (1990) em Cannes, num ecrã maior do que aquele onde apresentou Mulholland Drive (2001), e quando questionado se preferia fazer um novo filme ou uma série, não deixou dúvidas: “Uma série de TV. Neste momento, a meu ver, as longas-metragens estão em maus lençóis, com exceção dos blockbusters. Os filmes “arthouse” não têm a mínima hipótese. Eles podem chegar ao cinema durante uma semana e, se for um Cineplex, vão para o mais pequeno do complexo, e depois chegam a Blu-ray ou Video on Demand. A experiência na tela grande já se foi. Foi-se, mas não foi esquecida“.

Prosseguindo no mesmo tema, Lynch admite que pode voltar a fazer longas-metragens mas prefere histórias com continuidade: “A televisão por cabo, digo, é o novo ‘arthouse’. Tens total liberdade. O som não é tão bom quanto num cinema; a imagem não é tão grande – mas as TVs estão a ficar cada vez maiores e melhores, então há esperança. E se tens a chance de continuar uma história, então aí é a nova casa do cinema de arte“.

