Kelly Reichardt critica a cultura ‘macho man’ de “Era uma vez…em Hollywood”

(Fotos: Divulgação)

Kelly Reichardt não aprecia o filme de Quentin Tarantino

A realizadora Kelly Reichardt, responsável por filmes como Old Joy (2006), Wendy & Lucy (2008), O Atalho (2010), Night Moves (2013) e Certain Women (2017), declarou numa entrevista recente que não percebe muito bem como a imagem do “macho man” ainda agrada tanto ao público, sendo particularmente crítica com Era uma Vez…em Hollywood, o mais recente filme de Quentin Tarantino.

Eu simplesmente não entendo [o ‘macho man’] – não entendo. Está para além da minha compreensão. Como em Era uma vez … em Hollywood, a ideia do homem sem camisa no topo do telhado – o homem branco que bate no Bruce Lee, salva a donzela em perigo e incendeia os “hippies horríveis” – eu penso: “A sério?” As pessoas adoram, mas eu não entendo, especialmente no clima em que vivemos, como o ‘machão’ continua sendo interessante para as pessoas. A ideia do homem branco como salvador? Por favor – como se isso tivesse alguma relevância em qualquer lugar do planeta. Poupem-me. Como a semiótica e a mitologia disso – no mundo que conhecemos – ainda existe é bastante fascinante“, disse a cineasta, que curiosamente estava no júri do Festival de Cannes quando o filme concorreu [e não ganhou nada].

Prosseguindo no tema, Kelly diz que é por isso que esse género de personagens não existem nos seus filmes, até porque há muito que se sabe que “claramente os homens ‘fortes’ são as pessoas mais fracas“.

A cineasta afirmou ainda que foi bastante difícil trabalhar com Bruce Greenwood em O Atalho, pois este comportou-se como um “macho man” nas filmagens. Curiosamente, esse filme, de 2011, fez parte dos piores filmes do ano de Quentin Tarantino.

Vale a pena referir que o mais recente filme de Reichardt, First Cow, teve a sua estreia no Festival de Berlim.

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