Redação da Cahiers du Cinéma demite-se em bloco

(Fotos: Divulgação)

Richard Schlagman, ex-chefe das edições Phaïdon, que comprou a revista ao Le Monde em 2009, vendeu  a publicação há cerca de um mês a um coletivo liderado por Grégoire Chertok, banqueiro do Rothschild

A Cahiers du Cinéma, fundada em 1951, não quer ser uma revista “cordial“, “chique” e estar nas mãos do consórcio de empresários que adquiriu recentemente a publicação, na qual se encontram oito produtores e pessoas muito próximas do poder político. São estas as palavras utilizadas pela equipa editorial da revista, constituída por 15 pessoas, que se demitiu hoje em bloco, invocando a “cláusula de cessão”, que permite aos jornalistas deixar uma publicação no caso de uma mudança de accionistas.

Para os demissionários, a nova estrutura de acionista é composta por oito produtores, o que representa um problema imediato de conflito de interesses (…) Quaisquer que sejam os artigos publicados dos filmes desses produtores, eles seriam suspeitos de complacência.

O grupo refere ainda que a suposta carta de independência editorial que os novos “patrões” prometiam fora já contradita em várias notícias publicadas na imprensa gaulesa, como a ideia de um foco maior no cinema francês, o que se “confirmava” com a nomeação de Julie Lethiphu, delegada-geral da Sociedade de Realizadores, que organiza a Quinzena dos Realizadores, secção paralela do Festival de Cannes. Esta nomeação foi vista pela redação da Cahiers como a vontade do cinema francês tomar conta da publicação.

 

 

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