A atriz Isabelle Huppert pediu um número maior de mulheres à frente dos grandes festivais de cinema como forma de aumentar o número de filmes realizados por mulheres na seleção desses certames.

Isabelle Huppert com Alejandro González Iñárritu em Sarajevo
“Existem muito poucas mulheres à frente dos festivais – agora temos [Lili Hinstin] no Festival de Locarno, o que é bom“, disse a francesa numa conversa com o Screen Daily no Festival de Sarajevo, onde foi homenageada. Para Huppert, qualquer coisa que “chame a atenção para as mulheres é sempre uma boa notícia” e que apesar de haver muito para fazer, deve-se continuar a trabalhar na maneira como se olha para as mulheres, não só no cinema, mas em todas as áreas.
Dona de dois cinemas em Paris – o Christine 21 e Ecoles 21 – a atriz refutou a ideia de que a ascensão dos gigantes do streaming, como a Netflix e a Amazon, tenha mudado substancialmente a indústria ou o seu próprio trabalho, afirmando que ainda escolhe os seus projetos da mesma maneira. Quanto ao decréscimo de idas ao cinema, Huppert sustenta que a presença dessas empresas de streaming não destruirá a experiência nas salas, apesar das lutas ocasionais pela venda de bilhetes: “Não sou tão pessimista (…) Às vezes vou ao cinema, estão quatro pessoas na sala e sinto-me como uma arqueóloga. Por outro lado, olho para os cinemas que dirijo com a minha família, e neste momento estamos a passar uma grande retrospectiva de Dario Argento. Quando vemos as salas cheias e as pessoas presentes, isso dá-te esperança. “

Huppert em Sarajevo
Huppert mostrou ainda satisfação por Roman Polanski ter o seu filme, J’Accuse, na competição no Festival de Veneza, e afirmou que não vai filmar nenhum novo filme até 2020, isto porque a atriz está numa tournée teatral com Mary Said What She Said – que passou pelo Centro Cultural de Belém em julho.

