Pede-se o boicote por homofobia e transfobia a filme realizado por transgénero

(Fotos: Divulgação)

Um filme com uma temática LGBTQ está a ser acusado por uma petição online de que o enredo é homofóbico, transfóbico e perpetua a cultura das violações.

Adam, que estreou em Sundance com críticas genericamente positivas (86% no Rotten Tomatoes), foi assinado pelo cineasta transgénero Rhys Ernst e conta a história de um adolescente cisgénero (Nicholas Alexander) que é confundido com um homem trans por uma lésbica (Bobbi Menuez). Sentindo-se atraído por ela, o adolescente mantém a mentira que é trans, acreditando que só sendo uma mulher consegue conquistar a rapariga.

A petição online, com quase 3 mil signatários, pede aos espectadores o boicote ao filme, alegando que ele é “extremamente homofóbico, transfóbico e perpetua a cultura das violações“. O texto acrescenta ainda que o filme “está a ser comercializado como LGBTQIA, mas na verdade é muito prejudicial à comunidade“, pois segue muitas das crenças homofóbicas, “apresentando uma visão ofensiva, distorcida e ofensiva sobre a comunidade trans“. “Este filme nada mais é que propaganda homofóbica disfarçada de comédia. O filme Adam está a mais do que alguns passos na direção errada no caminho para a igualdade“, conclui o texto.

Estas críticas e protestos têm tido reflexo na nota do filme no site IMDB, onde atualmente se apresenta com uma média de 1,8. Nos EUA, ele só estreia comercialmente no próximo dia 14.

Sobre a polémica, Rhys Ernst – que conta no currículo com a assinatura de episódios de Transparent e que aponta Adam como o primeiro de uma trilogia de filmes de temática trans – disse em entrevista: “Devido à longa história de representações nocivas e falsas das vidas trans, a nossa comunidade está, com razão, desconfiada de algo que possa perpetuar esse legado negativo (…) No entanto, acredito no poder da arte trans e da narrativa, mesmo quando esta é desafiante ou desconfortável. Criar arte trans geralmente requer conversas difíceis, e eu esforço-me para aparecer, estar presente e ser responsável nesse diálogo.

Já este ano, o realizador afirmou no certame LGBTQ Outfest que os cineastas trans não podem apenas fazer trabalhos “seguros”, mas desafiar os limites e questionar as coisas nem que isso provoque desconforto.

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