Com seis décadas de carreira e mais de 500 créditos na construção de bandas sonoras para TV e Cinema, Ennio Morricone foi homenagedo em Roma pelo governo italiano.

O cenário era o Coliseu de Roma. O motivo estava ligado a uma distinção atribuída pelo governo italiano na figura do seu Ministro da Cultura, Alberto Bonisoli. Morricone, atualmente com 90 anos, brinca com a escolha do local para a entrega do prémio (Presidio culturale italiano), afirmando que só foi pena não estarem leões na arena.
Sobre o seu próximo trabalho musical, o compositor afirma não querer trabalhar para Cinema, ressalvando um eventual trabalho com o realizador Giuseppe Tornatore como exceção. “Quero fazer música que não seja para cinema: já escrevi uma missa e um espétaculo para dois pianos e cordas. Em suma, quero continuar a fazer o que sempre fiz, a música absoluta, eu chamo-a assim. “
Vencedor de um Oscar (Os Oito Odiados, de Quentin Tarantino), e conhecido por trabalhos musicais em filmes como O Bom, o Mau e o Vilão (1966), Aconteceu no Oeste (1968), Era uma vez na América (1984) e Cinema Paraíso (1988), Morricone diz que a inspiração representa apenas 1% do processo criativo e que o restante “é transpiração, suor e fadiga“.
Assume discordar frequentemente com os cineastas com quem trabalha e garante que tenta sempre educar os realizadores para a importância da música. “Há uma regra que estabeleci: se há boa música e o filme é mau, é mau porque a música não faz milagres. Se for um bom filme e a música for medíocre, então ele está bom. O ideal é quando um bom filme tem uma bela música.“
Quanto ao futuro da música no cinema, e abordando o facto do seu filho ter seguido a mesma profissão, Morricone lembra que os tempos mudaram, pois para muitas bandas sonoras são chamados amadores que se limitam a usar sintetizadores. “O meu filho é muito bom mas ele não trabalha tanto quanto eu porque não há trabalho. Hoje é difícil para um compositor fazer música original, exceto quando é um realizador importante que não aceita o que o produtor lhe diz“.

