
Estávamos em 2006 quando o iraniano Jafar Panahi conquistava no Festival de Berlim o Urso de Prata pelo seu filme Offside. A obra, que se tornou uma das mais essênciais da cinematografia do cineasta, passava-se durante o jogo que o Irão fez contra o Bahrain para disputar o apuramento para o mundial, e acompanhava as tentativas de várias raparigas de entrar no estádio para ver este jogo. Só que isso lhes é proibido. A preocupação é a quantidade de homens e o praguejar a que estariam sujeitas. Apanhadas, as mulheres são levadas para um local onde esperam ser levadas para a brigada dos costumes. Passam aí o resto do jogo, interagindo umas com as outras e com os guardas, sempre a tentar acompanhar o resultado.
Passados 12 anos, pouco mudou. Conta o site desportivo Maisfutebol que, no passado domingo, oito raparigas disfarçaram-se de rapazes para poderem assistir ao jogo de futebol entre o Esteghlal e o Persépolis, duas das equipa mais antigas e célebres do futebol do país. As mulheres acabaram por ser identificadas por seguranças e impedidas de entrar no estádio de Teerão.
Vale a pena referir que no Irão, o acesso aos estádios de futebol é proibido às mulheres desde a Revolução Islâmica de 1979. Oficialmente, a medida foi criada para “as proteger de comportamentos e comentários obscenos dos adeptos masculinos”. Nos últimos tempos, e após a eleição do Presidente Hassan Rohani, foram aligeiradas algumas destas restrições para alguns desportos, com a criação de zonas reservadas no basquetebol e voleibol.
Resta agora saber quando é que essas mudanças chegam ao futebol. Até lá, a obra de Jafar Panahi continua atual como nunca.

