
O certificado que permite que o filme A Vida de Adèle seja exibido em França com uma classificação de interdição para menores de 12 anos foi revogado por um tribunal francês devido a «cenas de sexo realistas» e susceptíveis de «ofender a sensibilidade do público jovem». A decisão surgiu após uma queixa da Promouvoir, uma associação próxima aos círculos católicos conservadores.
A ministra da cultura do país, Fleur Pellerin, terá agora que proceder a uma revisão do pedido do visto de exibição da obra, uma autorização administrativa necessária para que qualquer filme seja exibido nos cinemas gauleses, independentemente da sua origem.
A Vida de Adèle, vencedor do Festival de Cannes em 2013, é apenas um dos muitos filmes visados por esta associação recentemente. No início de junho, a Promouvoir já tinha conseguido que o filme Saw 3D, e após uma batalha legal de cinco anos, visse a sua classificação alterada de interdito a menores de 16 anos, para interdito a menores de 18. Love, de Gaspar Noé, Ninfomaníaca e O Anticristo de Lars Von Trier, Ken Park de Larry Clarke, Baise Moi de Virginie Despentes e Coralie Trinh Thi, e até Piratas das Caraíbas foram outros filmes que já estiveram na mira deste grupo. Sobre a saga do pirata Jack Sparrow, o grupo afirmou que muitas crianças dos 6 aos 9 anos ficaram horrorizadas com as mortes que se podiam ver no primeiro filme.
A Promouvoir é liderada por André Bonnet, que anteriormente dirigiu o Movimento Nacional Republicano, um partido definido em França como de extrema direita. Em 2000, Bonnet disse ao Libération (via The Guardian) que o seu objetivo era «defender os valores judaico-cristãos em todas as áreas da sociedade … e impedir o incesto, as violações e homossexualidade».

