John Carpenter vence caso de plágio contra Luc Besson

(Fotos: Divulgação)

Estávamos em 2012 quando a EuropaCorp de Luc Besson lançou nos cinemas Lockout – Máxima Segurança, um filme com Guy Pearce como um condenado que teria de salvar a filha do presidente de uma prisão de máxima segurança em troca da sua liberdade. Na época, muitos compararam o enredo e a personagem de Pearce, Snow, à de Kurt Russel (Snake Plissken) no filme Nova Iorque 1997 .

O próprio John Carpenter, realizador do clássico de 1981, concordou que existiam demasiadas semelhanças entre as duas obras e decidiu levar a EuropaCorp e os escritores de Lockout – Stephen St. Leger, James Mather, e Luc Besson – a tribunal, alegando que estes tinham infrigido o copyright do seu trabalho.

Surpreendentemente, dada a dificuldade em distinguir “plágio” com “influência” ou “homenagem” nestes casos – John Carpenter venceu a ação [via The Playlist]. Alguns meios franceses afirmam mesmo que este caso pode fazer jurisprudência no território [via Ecran Large].

Lockout

Numa análise detalhada entre os dois filmes, a justiça francesa deixou de fora o ritmo e os efeitos visuais, até porque existia uma diferença de 30 anos entre as estreias. Nas semelhanças, o tribunal apontava um herói atlético, rebelde e cínico, condenado – apesar do seu passado heróico – a quem é dada a chance de ficar livre se salvasse o presidente/a filha do presidente, mantid@ refém numa prisão. Além disso, ambas as personagens conseguem, de forma furtiva, entrar dentro do espaço de detenção, isto após uma viagem num planador/nave espacial. Quer Snow, quer Snake, encontram um antigo colega que acaba por morrer durante os eventos; ambos levam a missão aos extremos; e, no final, os dois ficam com elementos secretos recuperados ao longo da história. [via Observatoire européen de l’audiovisuel]

O tribunal decidiu então que a combinação de todas estas situações, que deram a Nova Iorque 1997 a sua originalidade, foram reproduzidos em Lockout, e mesmo que os dois filmes tenham a sua ação a decorrer em locais muto distintos, isso não é suficiente para diferenciar as duas fitas. Assim, a EuropaCorp foi condenada a pagar 20 mil euros ao realizador (John Carpenter), 10 mil euros ao argumentista (Carpenter e Nick Castle) e 50 mil euros às empresas que detém os direitos sobre Nova Iorque 1997

Claro que estes números são irrisórios para uma grande empresa como a EuropaCorp, mas certamente vão por em análise diversos outros projetos que abusam nas semelhanças com filmes clássicos.

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