
O comediante Mel Brooks afirmou numa entrevista à PBS que um dos seus filmes mais populares não poderia ser feito hoje em dia por causa da atitude politicamente correta que tomou conta da indústria cinematográfica.
Em causa está o seu Balbúrdia no Oeste (1974), filme onde seguimos um trabalhador negro dos caminhos de ferro que após um crime é “perdoado” e transformado em xerife de Rock Ridge. O objetivo seria minar a vida na cidade de forma a baixar o preços dos terrenos para depois os vender à companhia dos caminhos de ferro. Porém, este xerife e o seu ajudante vão defender a cidade como ninguém.
Um dos fortes elementos desta comédia com diversos elementos non sense era a utilização excessiva da palavra “Nigger” (ou Nig, em alguns casos) e dos estereótipos, algo que Brooks considera que seria totalmente impossível nos dias de hoje e que naquele tempo foi concretizável porque Richard Pryor coescreveu o guião: «O politicamente correto limita e restringe humor (…) O humor tem que ser muito louco, muito livre e perigoso!», adiantou o cineasta, que confessa que quando escrevia o guião do filme perguntava sempre a Pryor se podia usar a palavra “proíbida”, ao que este respondia “tens mesmo de [usar]“.
Brooks disse ainda que teve igualmente queixas da comunidade judaíca ao longo dos anos devido à música Springtime for Hitler no seu show da Broadway e filme Os Produtores. Para ele, era fulcral que essas pessoas percebessem o quão importante é gozar com pessoas como Adolf Hitler.

