“Não acredito numa pessoa que não chora quando vê este filme. Falta-lhe um gene, o da compaixão”. Estas foram as palavras da cineasta francesa Rose Bosch sobre o seu filme “La Rafle” (As Crianças da Paris), uma fita que acompanha os acontecimentos e personagens relacionadas com um dia particularmente fatídico – o 16 de Julho de 1942, quando cerca de 13 mil judeus foram levados para o Velódromo de Paris para serem entregues aos nazis.
Apesar da temática, a forma como Bosch tratou as emoções foi duramente criticada por muitos meios, que não se importaram com a frase da cineasta e que deram ao filme a nota mínima. Nessas declarações, Bosch afirmou ainda, entre outras coisas, que “choramos no filme porque não podemos fazer mais que chorar. A não ser que sejamos um “miúdo mimado” ou se nos deleitarmos com o cinismo do cinema, ou então se considerarmos que as emoções humanas são uma abominação ou um sinal de fraqueza.” E foi depois desta frase que veio a declaração de maior controvérsia: “era assim que pensava Hitler: que as emoções humanas são sentimentalismos. É interessante ver que essas pessoas [que não choram] juntam-se a Hitler no espírito, não é?».
Como seria de esperar, muitos foram os órgãos que criticaram a comparação a Hitler e a ideia que se não chorássemos no filme então tínhamos algo de Hitler em nós. Um desses meios foi o blog Selenie.fr, que comentou as afirmações com um texto onde destacava as afirmações de Bosch como uma das mais notáveis parvoíces narcisistas dos últimos anos, um insulto à inteligência do espectador, e referindo que “comparar aqueles que não choraram a ver o seu filme a Hitler é uma idiotice: não só podemos amar o filme e não chorar, como o inverso também é possível».
Aparentemente estas afirmações levaram Bosch a agir judicialmente contra o Blog, algo que o tribunal francês considerou hoje exagerado pois o artigo incriminado não se categoriza como um ataque à obra ou à reputação da sua realizadora e que mesmo utilizando uma linguagem vulgar exerce o seu direito à liberdade critica e de expressão.
O tribunal concluiu ainda que ao comparar aqueles que não choram a Hitler foi de certa maneira provocatório e como tal não vê razão para as queixas da cineasta – que terá agora de pagar por inteiro as despesas do processo, calculadas em 3 mil euros.

