O filme argentino “Piedra Sola“, de Alejandro Telémaco Tarraf, foi o vencedor do Prémio Fundação Inatel para Melhor Filme de Temática Associada a Práticas e Tradições e ao Património Imaterial da Humanidade, atribuído no contexto da Mostra Origens – Práticas e Tradições no Cinema, organizada pelo Doclisboa.
Uma primeira obra de contornos etnográficos e contemplativos sobre mitos, práticas e costumes da comunidade rural de Condor, “Piedra Sola” segue a história de um pastor nas montanhas argentinas, junto à fronteira com a Bolívia, acompanhando a sua odisseia física e sobrenatural no rasto de um puma que tem devorado os seus lamas. “‘Piedra Sola é uma jornada arquetípica e senti-me inspirado a ir lá como uma forma de retardar, uma forma de alcançar um estado puro e conectar-se de volta à essência da relação do homem com a natureza. Queria ir para um lugar onde ainda não separassem o mito da realidade e um lugar onde os rituais ainda fossem essenciais para o diálogo com a Pachamama [a deidade máxima dos povos indígenas]. Um lugar onde o mistério da vida está muito presente, um lugar onde a voz dos humanos não se sobrepõe à voz da natureza“, disse o autor à revista Tank sobre este seu projeto estreado no Festival de Roterdão.
A Mostra Origens – Práticas e Tradições no Cinema foi um programa do Doclisboa concebido em conjunto com a Fundação Inatel, que propunha “diferentes olhares cinematográficos sobre a diversidade geográfica, cultural e de linguagens, o Património Imaterial da Humanidade e o lugar ocupado pelas tradições que prevalecem na contemporaneidade“.

