Os filmes de Sérgio Graciano são claros, seja “Assim Assim”, “Linhas de Sangue” ou este “A Impossibilidade de Estar Só”. Tal como uma manta retalhada, os seus projetos nunca se sentem como objectos por inteiro, mas ideias fragmentadas, pedaços esquartejados que se encaixam de forma postiça e que transmitem isoladamente ideias maioritariamente banais e derivativas.
Por isso mesmo, para o que der e vier, não identifico a sua obra além do showreel de capacidades técnicas e narrativas onde existe alguma cinema no meio de uma linguagem de TV adornada com floreados publicitários, como que se este sentisse um constante impulso de provar – filme atrás de filme – que “sabe tocar vários instrumentos em diversos estilos”.
Em “Impossibilidade de Estar Só” esse “complexo”, que normalmente abunda em obras de iniciantes sedentos em mostrar serviço, sente-se a cada canto, cabendo às atrizes Bruna Quintas e (principalmente) Laura Dutra agarrarem o espectador com unhas e dentes e tornar a experiência do filme – como um todo – suportável. Não haja enganos. Há momentos conseguidos por aqui onde a dupla de protagonistas – movidas pelo texto- engolem e arrastam o espectador para dentro de terreno desbravado, mas estes são tão escassos como visualmente e sonoramente abalroados pela mão pesada de alguém que insiste que texto, imagem e som têm todos de dizer a mesma coisa, ao mesmo tempo, a toda a hora.
Esta história de uma rapariga com uma doença que, cansada de sobreviver “numa bolha” e com desejo de viver, parte com a melhor amiga para Porto Covo em busca de uma paixoneta, por sí só revela que o que vamos assistir não só não é novo, como tem sido na última década tratado a torto a direito no cinema mainstream e no dito indie americano, de forma mais ou menos agridoce.
Ora, esta road trip de caça a afectos idealizados (o amor e o viver realmente) acaba por sucumbir logo na partida por um arranque enfadonho e arrastado entre conversas online, portas fechadas, e telefonemas entregues de forma displicente à espera que sirvam de base para a escapadinha à realidade que se segue. Não chegam, e quando entramos pela Costa Vicentina adentro numa caça ao desconhecido custa a reencontrar essas personas que abandonamos logo a início, tornando-se o trajeto ainda mais custoso quando o kit técnico pontuado por slow motions e signos de liberdade artificializados tomam conta das operações num registo profundamente arrastado para a asa do videoclipe musical.
Artificial é, aliás, o melhor termo para usar por aqui, pois até decisões como o não mostrar rostos através de planos desenquadrados ou mesmo manter todos (além das miúdas) fora de campo soam a mera gímnica estilística que a algo que acrescente verdadeiramente força uma viagem que é externa, mas principalmente ao interior e às repressões enraizadas de duas miúdas à procura de “respirar” através do amor.















