After Truth: Disinformation and the Cost of Fake News estreia dia 20 de março na HBO
“Não existe realidade, apenas percepção da realidade“, diz Jack Burkman, um lobista e teórico das conspirações, aqui apresentado neste documentário com o selo HBO como um “operacional político” que se socorre da filosofia para vender as suas ideias.
Assinado por Andrew Rossi, conhecido por Page One: Inside the New York Times (2011) ou Ivory Tower (2014), a obra acompanha o fenómeno das “fake news” nos EUA, focando-se em alguns dos momentos chave dos últimos anos, como as consequências do chamado Pizzagate para um restaurante, os seus funcionários, e para Hillary Clinton, ou a especulação em torno de atividade militar em Bastrop County no Texas, em 2015, data que logo no início nos é apresentada como a inicial para o crescimento generalizado deste fenómeno.
Claro que o Facebook e Twitter são chamados ao barulho, tal como Donald Trump e a sua cruzada contra a imprensa que o critica, em especial a CNN, que ele categoriza alegremente nos comícios como veículo prioritário das “fake news“. Viajamos ainda, numa peça jornalística totalmente ensaiada para TV (onde domina o registo de “cabeças falantes”), à decisão de banir dos canais habituais de propaganda (Youtube, Facebook, Apple) da polémica figura de Alex Jones, um radialista, escritor e teórico da conspiração norte-americano intimamente ligado à extrema-direita, que até mais recentemente foi ordenado pelo procurador-geral de Nova York a parar de sugerir que os produtos que vende através dos seus canais de comunicação ajudam a prevenir ou a tratar o coronavírus.
Convencional no método e um pouco superficial no final das contas, mesmo entregando a mensagem do perigo das “fake news” e merecer uma olhadela, After Truth poderia mais eficazmente centrar-se em menos tópicos e situações, descobrindo efetivamente as ramificações ao poder político, o “genoma” das notícias falsas – mostrando assim com mais atenção e detalhe o que Burkman rematou também no início: “as fake news são uma arma”, isto numa cultura pós-verdade, na qual para se criar e modelar a opinião pública, os factos objetivos têm menos influência que os apelos às emoções e às crenças pessoais.















