Na verdade, o realizador Todd Robinson, numa abordagem didática, moralista e excessivamente melodramática transforma toda esta história verídica de coragem e reconhecimento num objeto enfadonho e previsível de honra, glória (ou a falta dela) e do eterno “moral high ground“, tudo com a subtileza de um pastor que está a dar um sermão aos não-crentes.
No filme, Sebastian Stan interpreta Scott Huffman, um funcionário do Departamento de Defesa solicitado por um veterano do Vietname (William Hurt) para conseguir a Medalha de Honra para um colega morto na frente de batalha em 1966. O filme segue então a via procedimental, com Huffman a entrevistar soldados que sobreviveram numa missão obscura de alto risco na guerra do Vietname.
Nessa jornada, o até então burocrata, cínico e cético vai aprendendo a história verdadeira do soldado caído (um médico), isto enquanto toma consciência dos graves problemas psicológicos que estes veteranos ainda carregam depois de tantos anos, tropeçando derradeiramente numa conspiração que impede a atribuição da medalha.
Recheado de um farto academismo onde a redundância dramática é apanágio (a banda-sonora entrega exatamente o que texto e imagens já repetiam), The Last Full Measure entope-se de flashbacks da guerra (deixando muito pouco à imaginação) e momentos da familia nuclear norte-americana na atualidade (em 1999) onde o conceito de injustiça é tratado na mais pura base de manipulação e simplificação.
Manipulação e pregação são mesmo as palavras-chave de um guião bem intencionado, mas que se sente pouco genuíno e algo caduco, estando apenas no ponto de elevação desta obra a presença de Christopher Plummer, Ed Harris e do falecido Peter Fonda, aqui no seu último papel, no elenco.















