«The Greatest» (Sem Ti ) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

“Sem Ti” aborda uma temática que não é nova no cinema, a perda de um filho adolescente. Recordemo-nos por exemplo do arrasador “O Quarto do Filho” assinado por Nanni Moretti em 2001. Aqui vemos o interior da família Brewer, uma família disfuncional onde há um pai infiel, uma mãe muito centrada no filho mais velho, e um filho mais novo carente de atenção e com problemas com drogas. Claro que neste caso, a família acaba por ter de lidar com a perda de Bennett, o “bom filho”, num acidente de viação.
 
A forma de encarar uma perda é diferente de pessoa para pessoa, e no seio dos Brewer isso também acontece: o irmão demonstra indiferença, o pai tenta esquecer, e a mãe começa a demonstrar um comportamento doentio e obsessivo face aos últimos minutos de vida do filho. A juntar ao quadro aparece Rose, uma jovem que estava com Bennett no acidente e que agora se diz grávida dele.

Na realidade, “Sem ti” começa de forma tocante, com os adolescentes apaixonados, e a família desfeita pela morte do filho. No entanto, a realizadora e argumentista Shana Feste acaba por temperar o filme com pequenas sub-histórias que acabam por não funcionar como escape ao drama, e pior do que isso acabam por lhe tirar alguma intensidade.

Datado de 2009 e filmado em pouco mais de vinte dias, “Sem ti” acaba por reunir um respeitável elenco com Pierce Brosnan e Susan Sarandon no papel dos pais sofridos, e a Carey Mulligan a dar um toque particularmente doce à jovem Rose. Com Shana Feste a dar-se inclusive ao “luxo” de desperdiçar o talentoso Michael Shannon num papel minúsculo e nada intenso.

Por isso, “Sem ti” poderia ter tido algum potencial dramático se se tivesse centrado na célula familiar, sem se desviar para caminhos desnecessários e pior, desinteressantes. Um drama morno, mais vocacionado para telefilme, e onde a direção parece estar aquém do potencial do elenco.

O melhor: Carey Mulligan
O pior: Desperdiçar potencial
 
 
 Carla Calheiros
 

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