A melhor forma é dizê-lo sem rodeios: “O Samaritano” tinha todo o potencial para ser um filme muito bom, mas acaba por desperdiçá-lo em manobras e clichés comuns ao género. A realização é de David Weaver, que trabalha maioritariamente para televisão, e que também é co-autor do argumento.
O filme conta a história de Foley (Samuel L. Jackson) um condenado que sai da cadeia após 25 anos encarcerado. Aos poucos vamos percebendo o que levou este homem à cadeia, e vemo-lo tentar levar uma vida “séria” fora da prisão. Pelo meio aparece Ethan, um vigarista de pequena escala, filho do seu antigo parceiro de crime, e que parece não olhar a meio para ter Foley num grande golpe.
A verdade é que Samuel L. Jackson tem uma excelente relação com a câmara E geralmente os seus personagens enchem por si só o ecrã. Infelizmente, Weaver não soube aproveitar dois excelentes extras que o ator trás: a sua voz, sobretudo em momentos de maior tensão, e o seu sentido de humor. Isso resulta num Jackson sussurrante e taciturno, longe dos registos que lhe conhecemos.
Outro dos pecados de “O Samaritano” é lançar um enorme “twist” a meio da obra, que embora possa deixar alguns queixos caídos, deixará outros ainda mais, por ter sido escandalosamente copiado de outro filme.
De resto, vão surgindo algumas personagens acessórias que servem unicamente para que o filme chegue ao momento de rutura, ao golpe. Mas até no ato final as coisas acabam por parecer demasiado atabalhoadas e tão inconcebíveis que ao pé disto os golpes da série “Hustle” parecem puras obras de génio.
Por isso, e pese embora algum esforço dos atores, não só de Jackson como da jovem Ruth Negga como Iris, e claro Tom Wilkinson – no papel do mauzão de serviço, que lhe assenta como uma luva, foi o próprio Weaver que não esteve à altura do potencial dos restantes. Foi pena!
O melhor: Tom Wilkinson nos seus escassos minutos em cena.
O pior: Copiar twists é feio! Muito Feio!
| Carla Calheiros |

