Christopher Nolan fez esperar o fãs de Batman mas o ultimo filme da trilogia do homem-morcego fecha com grandiosidade a saga que tem Christian Bale na pele do Cavaleiro das Trevas. “O Cavaleiro das Trevas Renasce” é um crescendo que se segue a “Batman: O Início” e a “O Cavaleiro das Trevas” e explora a faceta conturbada e solitária de Batman.
Oito anos depois de ter desaparecido, após se ter tornado ‘persona non grata’ em Gotham City por ser considerado culpado pela morte de Harvey Dent, Bruce Wayne (Christian Bale) é de novo “empurrado” para o fato de Batman. A razão é Bane, um terrorista mascarado que faz de Gotham palco da sua revolução.
O filme agarra do início ao fim. São 2h45 de acção que não descura o argumento ou a narrativa, com o espectador a ser guiado pela mão experiente de Nolan e um equilíbrio bem conseguido entre os momentos de diálogo e história e as cenas de acção e efeitos especiais. Nolan, contudo, não exagera nos efeitos, mantendo o filme razoavelmente realista. O mesmo já não se poderá dizer de alguns momentos do argumento, de certa forma previsíveis – apesar dos vários twists ao longo da história – mas que não retiram grandiosidade ao que vemos acontecer no ecrã.
A fita não se baseia apenas em ver Batman à procura dos maus e a arrear neles todos. Tal como Nolan já nos tinha habituado nos anteriores filmes, há profundidade nas personagens e da história – embora, neste caso, fiquemos com uma ligeira vontade de querer saber mais relativamente a algumas situações. É uma trama de pessoas e histórias, de dramas isolados que se cruzam numa teia que leva ao destino final, com as personagens escalando em complexidade.
O elenco escolhido ajuda a este efeito. Chistian Bale continua a personificar Batman, mas desta vez ainda mais obscuro, confuso e solitário do que nos filmes anteriores. Nas cenas de ação ou mais emocionais, Bale está irrepreensível. Apesar de, depois de ter lido as suas últimas declarações sobre estar farto de ser o Batman, vestir aquele fato e falar com aquela voz, seja difícil vê-lo fazer essas coisas de forma natural.
Anne Hathaway larga a pele de menina doce para vestir o fato de Catwoman. E fá-lo na perfeição, com momentos de descontração e ironia que aliviam a tensão do filme. Também Joseph Gordon-Levitt (a personal favourite) segue mais a onda do que fez em “Inception – A Origem” e é John, um polícia novo e cheio de garra que vai ajudar a salvar Gotham. E Tom Hardy é Bane, a quem nunca se vê a cara mas que é uma presença avassaladora.
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Os tons pesados da fotografia ao ritmo da realização, entrecortada com os dilemas e dramas das personagens são medidos nos tempos exactos para que o filme nunca se torne aborrecido e nos deixe, em alguns momentos, com a respiração em suspenso. A ligação aos filmes anteriores é feita de uma forma inteligente e pouco óbvia. A única “falha”, se é que se pode chamar assim, de Nolan é a vontade com que se fica de conhecer com mais pormenor algumas histórias secundárias que ficam apenas parcialmente contadas.
O Melhor: a forma como acção e narrativa se cruzam para dar ritmo ao filme.
O Pior: querer saber-se mais sobre certas histórias secundárias que ficam por contar.
| Cátia Simões |

