«Moonrise Kingdom» por Pedro Quedas

(Fotos: Divulgação)

Uma coleção de momentos surreais que transcende os seus potenciais “constrangimentos” estilísticos quando a estranheza se funde com a honestidade emocional e se eleva à mais pura magia do cinema

 

É sempre complicado avaliar um filme de Wes Anderson. O realizador texano tende a povoar as suas narrativas com personagens carregadas de tiques peculiares e estranhos colocadas em situações peculiares e estranhas normalmente situadas em terras peculiares e estranhas. As opiniões sobre o seu cinema tendem a polarizar-se entre os que bebem todas estas peculiaridades e os que as desprezam como tiques pretensiosos.

Na verdade, em “Moonrise Kingdom” como em quase todos os filmes de Anderson, o segredo para o seu sucesso transcende estas questões de estilo e vai directo ao coração. E é aí que nos atinge esta história de amor entre Sam (Jared Gilman) e Suzy (Kara Hayward), um casal que se apaixona profundamente aos 12 anos. Ambos reclusos sociais que ninguém parece conseguir ou sequer tentar compreender, o (muito) jovem casal decide fugir para uma praia escondida na ilha de New England em que moram, gerando uma procura frenética pelas crianças por parte de todos os habitantes da pequena cidade. Impecavelmente interpretados pelos seus dois jovens actores, a relação os dois é o motor emocional de todo o filme.

Não quer isto dizer que o filme não tenha todas as características que formam o “tradicional” estilo de Wes Anderson. De facto, este até uma das obras mais estilizadas do realizador, com muitas escolhas visuais interessantes e uma inspirada utilização da ilha como uma tapeçaria simultaneamente melancólica e romântica para as suas excêntricas personagens. Nestas destacam-se as belíssimas interpretações de Bruce Willis, como o reservado chefe da polícia local com um coração de ouro, Edward Norton como o nervoso mas bem-intencionado líder do grupo de escuteiros do qual Sam foge e o hilariante casal formado por Bill Murray e Frances McDormand, os emocionalmente desligados pais de Suzy.

Em última instância, “Moonrise Kingdom” é, muito simplesmente, um dos melhores filmes da já recheada obra de Wes Anderson. Uma colecção de momentos surreais que transcende os seus potenciais “constrangimentos” estilísticos quando a estranheza se funde com a honestidade emocional e se eleva à mais pura magia do cinema. Momentos como quando Sam fala com Suzy sobre a sua vida difícil como órfão.

Suzy: “I wish I was an orphan, You feel more special”
Sam: “I love you, but you don’t know what you’re talking about”
Suzy: “I love you too


O Melhor:
Quando a realidade dos sentimentos eleva a estranheza ao patamar da magia.
O Pior: Quando a estranheza é simplesmente estranha.

 

 

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 Pedro Quedas

 

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