«21 Jump Street» (Agentes Secundários) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

 

Em finais da década de 80 apareceu na televisão a série “21 Jump Street”, que contava a história de agentes da polícia que devido ao seu aspeto juvenil trabalhavam infiltrados junto dos jovens de forma a combater o crime em escolas, e locais de eleição dos jovens. A primeira curiosidade é que a temática da série era baseada num secção real da polícia norte-americana. A série acabaria por ter direito a cinco temporadas, e foi o primeiro programa da Fox a rivalizar em horário nobre com as séries das emissoras mais poderosas. Independentemente do seu sucesso, “21 Jump Street” será para sempre relembrada como a série que apresentou e consagrou um dos maiores atores da atualidade, Johnny Deep.

A ideia de levar a série ao cinema já é falada há alguns anos, e possivelmente ficou em lume brando devido à enorme leva de adaptações falhadas de programas televisivos ao grande ecrã. No entanto, é perceptível desde o primeiro momento que “21 Jump Street”, que na versão portuguesa se vai chamar “Agentes Secundários”, se afasta bastante do teor mais sério e até moralista da série, para se transformar numa versão mais anedótica e divertida do dito programa policial.

A comandar o elenco estão dois atores com percursos liminarmente opostos. Por um lado temos Jonah Hill, nome mais dedicado à comédia, e nomeado ao Óscar pelo seu único papel mais sério. Por outro, Channing Tatum um galã adolescente que tem sido transformado em herói de ação com resultados para já bastante díspares entre si. Eles são Schmidt e Jenko, dois jovens que vivam em grupos diferentes do liceu mas que acabariam por travar amizade na Academia de Polícia.

A partir daqui começam a sua atrapalhada carreira policial que acabará por levá-los ao programa da Rua Jump 21, e claro de regresso ao liceu. Curiosamente os tempos mudaram, e as mentalidades também, por isso Schmidt acaba por se tornar o popular, e Jenko o “nerd” de serviço. A primeira vitória de “Agentes Secundários” é a forma como o filme teima em nunca se levar a sério, acabando sempre por prevalecer o lado mais cómico e até politicamente mais incorreto.

Claro que com o avançar da história acabam por aparecer as cenas de ação, os vilões e um ar mais hollywoodesco, mas mesmo assim, o filme consegue sempre dar um cunho mais “rebelde”. O argumento é de autoria de Jonah Hill e de Michael Bacall, responsável por projetos tão diferentes como “Projeto X” e “Scott Pilgrim contra o Mundo”. Na realização está a dupla Chris Miller e Phil Lord, que até então havia unicamente realizado o filme de animação “Chovem Almôndegas”. Talvez seja exatamente essa “inexperiência” que funcione em favor de “Agentes Secundários” que acaba por trazer algo batido de uma forma que não deixa de ser refrescante e até engraçada. Por seu lado, os resultados de bilheteira não deixam margem para dúvidas e tal como o final pede o filme terá certamente direito à habitual sequela.
 
Por isso, “Agentes Secundários” é mais do que a adaptação direta de uma série ao cinema.  É antes a adaptação de um conceito dando-lhe não só nova roupagem, como uma nova abordagem. A benção dos intervenientes da série parece dada, com Johnny Deep e Peter DeLuise a fazerem uma pequenina, mas marcante participação. Ainda em relação ao elenco, ressalva-se que o papel de Eric está entregue a Dave Franco, irmão mais novo de James Franco.
Um policial mais versado para a comédia com alguns momentos de ação interessantes, e que promete certamente algumas gargalhadas.

 


O Melhor: A forma como pega na série e lhe dá uma aura muito mais divertida.
O Pior: Ter algumas situações que resvalam desnecessariamente a linha do bom gosto.

 

 
 Carla Calheiros

 

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