Tarsem tinha alguma razão quando afirmava que os trailers de «Espelho Meu!» não mostravam bem o que o filme era. Na verdade, talvez tenha sido bom isso acontecer, pois esta obra – sem nunca fascinar – acaba por surpreender pela positiva e revela-se mais capaz do que se antevia, ainda que não traga nada relativamente novo ao clássico conto.
E tal como é habitual em toda cinematografia do cineasta, o primeiro destaque vai por inteiro para o visual do filme, onde as cores fulminantes criam um ambiente mágico que só peca por se sobrepor em demasia a uma história pouco arrojada e superficial.
Na verdade, há mais momentos divertidos em «Espelho Meu!» do que se esperaria e a culpa é totalmente da interacção dos anões, do Príncipe (Armie Hammer) e da Branca de Neve (Lily Collins) – que facilmente são o elo mais forte do filme.
Já Julia Roberts, e a sua personagem da Rainha Malvada, começa por surpreender pela ironia e algumas tiradas egocêntricas, mas rapidamente cai na redundância perdendo fôlego quando no final se impunha uma vilã verdadeiramente temível. Por isso, e se nos primeiros dois terços o filme cumpre pelo tom adocicado (mas não meloso) que tem, no final peca por não conseguir ser suficientemente negro para nos fazer preocupar pela pobre Branca de Neve.
Ainda assim, algumas variações na história representam uma lufada de ar fresco no conto, mas não por muito tempo, pois o ambiente geral manteve-se e isso já vimos – e até melhor – em outros filmes sobre a mítica personagem.
De qualquer maneira e se têm crianças, este é um filme que facilmente elas irão gostar.
O Melhor: O humor dos anões
O Pior: A personagem da Rainha Má rapidamente cai na redundância, perdendo fôlego quando no final se impunha uma vilã verdadeiramente temível
| Jorge Pereira |

