Pegando numa personagem que ele já tinha trabalhado numa produção mais modesta, Ralph Fiennes estreia-se na realização para cinema com a adaptação de mais um trabalho de William Shakspeare (que seguiu a biografia de Plutarco de Queronéia), dando-lhe assim uma lavagem visual moderna (filmado na Sérvia), mas mantendo os textos originais, assumindo assim uma nova visão de um autor que acima de tudo escreveu sobre temáticas intemporais e dramas universais que se mantém actuais nos dias de hoje.
«Caius Martius ´Coriolano` (Ralph Fiennes), um reverenciado e temido general romano, está em conflito com a cidade de Roma e com os seus concidadãos. Pressionado pela sua mãe, ambiciosa e controladora, Volumnia (Vanessa Redgrave), a procurar a cobiçada e poderosa posição de Cônsul, ele está relutante em insinuar-se junto às massas, cujos votos necessita para assegurar o cargo.
Quando o povo se recusa a apoiá-lo, a raiva de Coriolano gera um motim que culmina na sua expulsão de Roma. O herói banido alia-se então ao seu jurado inimigo Tullus Aufidius (Gerard Butler) para se vingar da cidade.»
Um dos principais focos de atenção nesta obra é o visual de combate – de certa maneira descendente de «The Hurt Locker», não sendo inocente a comparação pois até o mesmo diretor de fotografia eles partilham Barry Ackroyd. Esta forma de apresentar esta tragédia acrescenta ao filme um tom cru, intenso, sangrento e visceral que os conflitos políticos e luta pelo poder desta história já de si exigiam.
E tudo é trabalhado com tamanha energia que durante as duas horas de duração o filme permanece tenso, mesmo quando se conhece o desenlace que o espera. Para ajudar a isso temos prestações muito conseguidas de alguns atores, em especial de Vanessa Redgrave (Volumnia), mas também do próprio Fiennes, que bem apoiado por um Butler guerreiro e uma luminosa mulher troféu Jessica Chastain, conseguem criar um filme memorável, mas que pode sufocar os puristas que esperam algo mais clássico, ou os desconhecedores da obra de Shakspeare que vão sentir textos e imagens sem grande sincronização…
A ver…
O Melhor: É visceral e actual
O Pior: O visual e estilo muitas vezes colide com o peso dos textos e tornam tudo num exercício bizarro, como se o som e a imagem estivesse sem sincronia.
| Jorge Pereira |

