«We Bought a Zoo» (Comprámos um Zoo!) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
 
Depois de filmes como «Jerry McGuire», «Quase Famosos» e «Elizabethtown», Cameron Crowe está de volta aos cinemas com «Comprámos um Zoo», um “feel good movie» e um “crowd pleaser” que segue – de certa maneira – uma das tendências máximas do cinema (e até do sonho) americano ao apresentar uma daquelas histórias do sub-sub–género  «contra todas as expectativas, ele consegue”. Porém, e se constatarmos, esta é uma obra com o dedo distinguível de Crowe e que apresenta muito daquilo que faz a sua cinematografia, seja uma personagem a crescer e a chegar aos termos com qualquer coisa (neste caso a morte da esposa), seja a adocicada componente musical, onde desta vez Jonsi dos Sigur Rós acentua o tom “feel good” e toda a obra.

Inspirando-se numa história real, em «Comprámos um Zoo» seguimos Benjamim (Matt Damon) um viúvo com duas crianças que não consegue esquecer o amor da sua vida (que pelo que percebemos faleceu de uma doença prolongada). Não conseguido encontrar forma de voltar a trabalhar como jornalista e saturado da compaixão alheia, ele demite-se do seu emprego. Como o seu filho mais velho foi expulso da escola, Benjamim acham uma boa ideia recomeçar de novo e embarca na compra de um local que na realidade é um Zoo. 

A partir daqui começam as peripécias de montar e dar vida a um projeto onde tantos já desistiram, e encontrar a paz e a harmonia junto dos filhos, enquanto se aprende a lidar com o passado, apesar de sabermos que nunca o esqueceremos.

Crowe é perito em fazer filmes transversais e que interessam à maioria do público que o assiste, mas aqui vai bem mais longe ao apresentar uma verdadeira narrativa familiar que se sente doce, mas não manipuladora ou demasiado dramática para cair num verdadeiro «tearjerker» (apesar de uma outra cena a tender para aqui).

Por isso, e apoiado em boas prestações (que não se sobrepõem à história geral), «Comprámos um Zoo» acaba por ser uma óptima escolha para o espectador que o visitar numa sala de cinema, ainda que não seja algo que nos marcará eternamente e irá irritar mesmo quem já só sabe ver cinema quando este segue tons mais negros…

O Melhor: A banda sonora de Jonsi, o ambiente «feel good» e Thomas Haden Church mais uma vez brilhante

O Pior: Duas ou três cenas que tendem para a contemplação e para sentirmos simpatia pela personagem principal apelando às lágrimas

Ps: E sim, a expressão «Whatever» devia ser erradicada deste século…
 
 
 Jorge Pereira
 

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