Com quase três anos de atraso, chega aos nossos cinemas «Amor ao Acaso» (The Rebound), um filme que apresenta Catherine Zeta Jones no papel de uma mulher traída pelo marido e que se mudou para uma grande cidade com os dois filhos, tendo regressado também a trabalhar, após longos anos em que apenas foi “mãe”. É já na grande cidade que ela encontra um jovem de 24 anos, também abandonado pela esposa, por quem se vai interessar.
Não se inventa a pólvora nesta comédia romântica com tons dramáticos e tudo o que assistimos é a uma fórmula já muito batida no cinema e com poucas aventuras e arrojo para fora do seu molde. Por isso mesmo, o foco da acção é entender se esta relação terá futuro, apesar da diferença de idades entre ambos, havendo aqui a mais-valia de realmente existir uma boa química entre os protagonistas e alguns momentos de humor que apesar de entreterem não vão para além disso
De resto, uma nota para Zeta Jones que parece ter chegado aquela idade em que abandona os papéis de objecto de desejo universal e se transforma na «enganada» da história, tal como Richard Gere o foi em «Infiel». Muitos atores e atrizes passam por essa fase quando a idade começa a apertar. Hollywood movimenta-se em torno dos clichés etários, sendo certo que sequencialmente surgirá uma segunda vaga sensual da atriz (basta lembrar o caso de Diane Lane). Com isto, Jones segura muito bem o seu papel de mulher fustigada por uma relação e anos de afastamento do mundo do trabalho, sendo frequentes as dúvidas quanto ao seu futuro no que toca a relacionamentos. Por tal, este «Amor ao Acaso» acaba por ser uma mais valia pela prestação da atriz, mas no que toca à sua história base, esta é demasiado vista e insubstancial para deixar qualquer marca na nossa memória.
O Melhor: Zeta Jones
O Pior: História muito batida, com pouca inovação e arrojo
| Jorge Pereira |

