«Viagem ao Centro da Terra 2: A Ilha Misteriosa» era uma das sequelas mais arriscadas de executar. Por um lado, o primeiro filme não foi um sucesso por aí além, ainda que contasse com o apoio com a novidade que o 3D era. Por outro, raras são as sagas que funcionam bem sem o seu (primeiro) ator principal (basta lembrar quando Vin Diesel abandonou Velocidade Furiosa). Por isso, e para se partir para uma sequela de um trabalho fantasioso, teria que se caprichar no «appeal» do filme, coisa que foi magistralmente conseguida. The Rock é uma instituição nos filmes de ação e toda a gente sabe da sua apetência (quase à vez) para filmes mais infantis (A Fada dos Dentes) e juvenis (Corrida para a Montanha Mágica). Como tal, não é de estranhar que o ator tenha sucesso, pois lida muito bem com o público mais adulto e também com os mais pequenos, dando acima de tudo músculos, algum cérebro e muita credibilidade. Substituir Brendan Fraser por The Rock foi o primeiro grande sucesso deste projeto.
Por outro lado, o filme conta com dois atores capazes de atrair gente mais nova. Josh Hutcherson já vinha do episódio anterior e já está no imaginário de muitos por causa do ainda inédito «Jogos da Fome». Depois há Vanessa Hudgens, um ídolo de muitos adolescentes que tem a capacidade de atrair o publico feminino que cresceu com ela em «High School Musical» e masculino (que se “babou” por ela em «Sucker Punch –Mundo Surreal). Finalmente, temos Michael Caine, um avozinho simpático, matreiro e cómico que trás alguma credibilidade para o publico mais adulto. Finalmente, há ainda um Luis Gúsman que é…simplesmente hilariante, quer seja aqui, quer seja em «Arthur». Ora, dizer que o elenco desta fita é metade do sucesso deste filme, é pouco.
Depois há a história, que não trás nada de novo, mas está bem ensaiada e como é levemente inspirada num conto de Jules Verne, tem agarrada a si um certo misticismo.
Sean Anderson (Josh Hutcherson) é um jovem infeliz que se vai afastando da família estando frequentemente em apuros. Após ser detido, o seu padrasto (Dwayne “The Rock” Johnson) procura aproximar-se dele, acabando por decifrar um código que os levará a viajar até uma mítica ilha de forma a encontrarem o único habitante, o avô de Sean (Michael Caine). Quando chegam perto do local, eles tentam – sem sucesso – encontrar alguém que os leve até umas coordenadas geográficas, mas todos parecem temer o local e rescusam. Todos… menos o dono de um helicóptero (Luis Guzman) e a sua filha (Hudgens), um duo que por 3 mil dólares aceita o serviço. Juntos, eles partem para a ilha mas rapidamente descobrem que o local está prestes a entrar em colapso. A partir daqui o filme é um puro trabalho de fantasia, visualmente sólido mas não espampanante, onde vemos dinossauros, montanhas de ouro, animais gigantes e vulcões em erupção… Pelo meio há ainda o lado familiar da história (em que um padrasto procura aproximar-se do seu enteado) e o romance adolescente (entre Hutcherson e Hudgens). E aqui fica a razão do sucesso do filme, pois apesar de nunca deslumbrar e frequentemente entrar por territórios comuns e já vistos, ele entretém durante a sua escassa duração, sendo o filme perfeito para pré-adolescentes que já não têm paciência para filmes de animação, mas não sentem ainda atração por obras mais complexas. Para quem assiste com eles, há boas razões para a obra não ser totalmente considerado um tempo perdido.
Por tudo isso, «Viagem ao Centro da Terra 2: A Ilha Misteriosa» acabou por ser uma experiência sã, destinada a ter muito sucesso nas matines televisivas dos canais nacionais, mas não se esqueçam que os principais destinatários são mesmo os mais novos (mas não assim tão novos)…
O Melhor: Luis Guzman é continuamente divertido
O Pior: O enredo amoroso adolescente é forçado e Hudgens parece estar lá apenas para ser o objeto de paixão de Hutcherson
| Jorge Pereira |

