Emma é uma jovem de 15 anos que quer mais independência dos pais. Estes, pelo contrário, prendem-na demasiado, pensando no futuro dela e com a ilusão de que um dia ela lhes vai agradecer.
Um dia Emma tem um ataque que parece indicar epilepsia. Os pais levam-na ao médico, mas nada é detectado. Quando o comportamento desta se altera, e começa a haver exemplos de que pode estar possuída por um demónio, é chamado um padre da família para a exorcizar. Mas será este capaz de tal tarefa, quando a própria Igreja o renega?
Com o dedo da Filmax, esta produção espanhola – falada em inglês – tinha o ensejo de demonstrar uma nova abordagem aos demónios e exorcismos no cinema. O objectivo é parcialmente atingido, mas não sem que se entrem nas visões padrão do fenómeno, onde subsistem os clichés das mensagens nos espelhos, das baratas a sair das casas de banho (ou moscas, ou abelhas, como noutros filmes), da voz distorcida, da vista carregada a tons negros e claro, das levitações inexplicáveis. E “Exorcismus” segue muito por aí, com todos os detalhes do género, abordando sim, e com algum engenho, novos caminhos à forma como se é ‘possuída’, e os objectivos para isso.
E apesar de haver alguns sustos de momento, este é um filme que tenciona, pelo ambiente, criar mais tensão e terror, fabricando paralelamente um drama familiar, com a pressão parental como fundo. E é neste ponto que o filme se fortalece e fragiliza de forma equitativa. Ao dar mais que um simples demónio que queria um corpo, ao mostrar outras razões para o fenómeno, é necessária uma maior explicação ao espectador, o que pode por vezes fazer a obra tropeçar em si mesma em termos narrativos.
Neste caso específico, o filme até consegue ser mais lógico que a maioria, e fugir à tal simplicidade dos demais filmes do género, mas será que consegue assustar ou ser um filme menos anónimo no universo de filmes demoníacos? Nem por isso. Em termos simples, este “Exorcismus” é um filme pastilha elástica. Diverte, entretém, mas rapidamente o sabor desaparece da nossa boca, ou cabeça neste caso.
O Melhor: O filme transforma a vítima em pecadora, e só por isso é diferente e louvável em termos criativos
O Pior: É um filme que entretém no momento, mas não ficará para a história
A Base: “Exorcismus” é um filme pastilha elástica. Diverte, entretém, mas rapidamente o sabor desaparece …6/10

