Esta é uma obra visualmente imponente, por vezes demasiada estilizada (quer visualmente, como sonoramente), como uma sequência em que ambos atiram latas de tinta um ao outro. Este momento imponente na sua vertente visual, acaba por demonstrar alguma tendência de Joost van Ginkel para um formato videoclipe que só não tem resultados mais superficiais (ainda que espetaculares) porque o coração da narrativa está no lugar e as personagens substituem as suas palavras (inexistentes) por interpretações fortes e repletas de emoções na sua expressividade. E é isto que dá a maior força ao filme, mostrando que não é preciso haver palavras para uma história ser rica organicamente (Kim Ki-Duk já o tinha feito, e de forma genial, em Ferro 3).
Como tal, «170 Hz» (nome que advém da frequência máxima de um som que Nick consegue captar) acaba por ser um filme curioso, com alguns defeitos mas muitas virtudes e que demonstra que Van Ginkel é um dos nomes a seguir no cinema europeu e que tem, em termos de “histórias”, uma profunda ligação/inspiração ao que o cinema indie norte-americano made in Sundance tem feito nos últimos 20 anos.
| Jorge Pereira |

