«El Gato desaparece», mas Carlos Sorín regressou em força

(Fotos: Divulgação)
 
Luis é um homem curado. Do quê, só vamos sabendo aos poucos pois Carlos Sorín – o realizador de filmes como «Histórias Minimas» e «Bombon el Perro» – usa uma intriga mínima com laivos de Hitchcock e Polanski para nos prender do primeiro ao último minuto com um thriller psicológico onde se passa do suspense ao humor negro em meros frames.
 
Em «El Gato Desaparece» Luis é uma figura respeitada, um catedrático com uma vida burguesa ao lado da sua mulher que depois de um evento completamente psicótico é internado numa clínica psiquiátrica. 
 
Regressado a casa, este homem volta à sua rotina, e tudo parece voltar à normalidade. A sua esposa, Beatriz, aceita esta «cura» de forma reservada, pois se por um lado fica feliz de ter o seu companheiro de 25 anos de novo junto a si, a pessoa que ela agora vê à sua frente não lhe inspira a confiança de outrora. E a nós também não. 
 
Quando o gato que vive em sua casa reage de maneira bizarra ao seu dono e desaparece, as suspeitas de Beatriz adensam-se e o sentimento que algo não está bem começa a consumi-la e trespassa a tela chegando a nós.
 
Com esta trama e com a força da dupla de atores centrais (brilhantes), Sorín cria momentos de verdadeira tensão, de claustrofobia e inquietação, instigando o espectador constantemente a procurar pistas que confirmem que os receios de Beatriz tem fundamento. Com tudo isto aos poucos somos apanhados pelo novelo solto por Sorin, um cineasta que constrói aqui uma história mínima de tensão, mas uma curiosa viagem à mente humana e ao que esta é capaz de esconder e soltar quando menos se espera. Peca apenas nesta viagem o final escancarado, ainda que seco e que nos deixa a desejar saber um pouco mais do processo.
 
A ver… 
 
 
 Jorge Pereira
 

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