Cannes 2012: «Hazara» (Return) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

Hazara (Return) é um retrato escasso mas minimamente eficaz de um jovem israelita (Shay) que regressa ao seu país depois de uma viagem à Índia. À procura do seu primeiro emprego, Shay sente-se inadaptado neste seu regresso, algo que é muitas vezes descrito pelo olhar perdido do ator Tom Hagi. A grande exceção é um desconfortável jantar familiar, onde vamos recolhendo muitas das peças-chave da história, deixando também marcado um historial depressivo/psicótico por parte do seu protagonista. 

Umas vezes ternurento, outras mais frustrante e críptico (aquela cena inicial com o pai a observar o filho a treinar transborda ambiguidade e potenciais contextos não explorados…), “Hazara” acaba por ser nos seus 20 minutos uma típica curta competente de Grande Festival. Tendo em conta que o realizador desta curta se chama Shay Levi, podemos pensar que estamos muito próximos a um registo autobiográfico. Em qualquer dos casos, “Hazara” deixa-nos a querer saber mais (para sentir mais). E isso é tão bom como mau numa curta-metragem, na minha modesta opinião.
 
André Gonçalves

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