«The Enemy» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

O cinema sérvio tem se revelado uma verdadeira máquina e o melhor de tudo é que produz diversas obras com interesse nos mais diversos géneros, seja a comédia dramática (The Parade), o drama profundo (Klip) ou o terror e suspense, como este «The Enemy», um filme muito derivativo do cinema de Carpenter, mas que sabe fazer as coisas mantendo as suas raizes de forma bem local. 

Um grupo de soldados sérvios, logo após o final do conflito dos balcãs, é obrigado pelas tropas da Aliança Atlântica a desminar diversos locais. Num desses campos, esse grupo vai descobrir um homem fechado entre quatro paredes numa fábrica abandonada. A partir daqui coloca-se a questão de quem é este estranho – que não tem fome, nem sede, nem sabe há quanto tempo estava encerrado naquele local. O certo é que aos poucos, e à medida que esse homem vai falando com os soldados, estes parecem enlouquecer, o que faz com que muitos comecem mesmo a acreditar que ele é o Diabo – como dizia um soldado muçulmano que entretanto capturaram. 

A partir desta premissa, Dejan Zečević cria uma espécie de «A Coisa» no meio de uma Sérvia no pós-guerra, onde o gelo e as temperaturas baixas não são o motivo da reclusão dos homens a um espaço, mas sim as minas que rodeiam a habitação onde pernoitam. Como tal, e como sucedia no filme de Carpenter, a claustrofobia do local ajuda a adensar todo o ambiente de mistério, funcionando claramente como o carburante que faz a obra funcionar – especialmente quando sabemos que há algo que leva estes homens a morrem aos poucos.
 
Assim, com bastante tensão, algum humor tipicamente local, uma boa proteção dos seus segredos e personagens curiosas, «The Enemy» é um filme bastante eficaz, e embora não inove em absolutamente nada, e por vezes caia em muitos clichés, consegue prender-nos até ao seu final,
 
 
 Jorge Pereira
 

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