A guerra civil espanhola e o franquismo sempre foram uma fonte de inspiração para o cinema de nuestros hermanos e neste «La Voz Dormida» a temática regressa, explorando-se as detenções e execuções perpetradas pelo regime e tendo como foco uma cadeia para mulheres.
Pepita (Maria Leon) é uma jovem que viaja de Córdoba para Madrid de maneira a tentar ajudar a sua irmã grávida, Hortensia (Imma Cuesta), detida por conspiração e apoio à guerrilha «vermelha».
O dia a dia de Pepita é passado entre a casa trabalha e inúmeras tentativas de afastar a irmã do fuzilamento, algo que é cada vez mais certo, agindo a jovem muitas vezes de forma cega e pedido ajuda a franquistas, mas contactando com comunistas para fazer com que Hortensia e o seu marido tenham algum tipo de comunicação.
Magistralmente guiado por Maria Leon, «La Voz Dormida» é um filme que nos apresenta um dos períodos mais negros da história de Espanha e não faltam atitudes fundamentalistas em ambos os lados do conflito. Para além disso, o filme segue também uma linha muito humana da cega vingança dos vitoriosos (franquistas), destacando-se algumas personagens femininas que podem deixar-se vencer fisicamente, mas que nunca desistem ideologicamente. E aqui reside um dos falsos problemas que muita gente poderá evocar, em relação a esta fita pois é complicado às multidões atuais (ideologicamente comodistas e despreocupadas no geral) entender algumas das decisões das personagens na época.
Tudo isto é apresentado com relativa proximidade por Benito Zambrano, um cineasta que evita respostas simples, apresentando um conflito de ideias, mas uma luta de pessoas, numa verdadeira tragédia que não deixou ninguém ileso.
Uma nota final ainda para Imma Cuesta, que juntamente com Maria Leon dá uma densidade dramática e um apego emocional extra ao espectador que dificilmente fica indiferente ao desenlace.
| Jorge Pereira |

