É estranho tentar perceber porque encontramos nas nossas salas tantos thrillers manhosos e um filme como «No Habrá Paz Para Los Malvados» continua inédito em Portugal. Na realidade, estamos perante um western moderno onde uma espécie de «Policia Sem Lei»* tem de lidar com uma célula terrorista. Mais particularmente acompanhamos um inspetor da policia que nitidamente não sabe lidar com o álcool e num acesso de fúria mata três pessoas num bar de alterne. Uma testemunha consegue escapar e todo o filme se centra nas tentativas do policia em caçar este quarto elemento. Paralelamente acompanhamos uma juíza que investiga o caso e quando damos por nós já diversas máfias e terroristas estão ligados numa história anti-redentora e onde o improvável herói é na essência um profundo vilão.
Tenso, muito bem imaginado e deveras interessante, este «No Habra paz para los malvados» é um thriller à moda antiga com temas bem modernos e onde não escapa a profunda ligação da sua narrativa aos filmes do velho oeste, não só na sua personagem principal mas em alguns momentos chave e até na paisagem escolhida para certas sequências.
A liderar esta quase-surpresa (afinal o filme já vinha bem referenciado de San Sebastian e dos Goyas) temos José Coronado (El Lobo), um homem duro e que consegue criar uma personagem complexa e obscura, mas não demasiado focada em transmitir ao espectador como se a obra fosse um estudo comportamental ou pessoal de uma personagem. Na verdade, o motor deste filme é a sua própria história e Coronado ajuda o filme a carburar, a criar tensão, mas nunca se sobrepõe a ele.
Por isso mesmo, «No Habra paz para los malvados» é um filme a não perder e mais uma prova que no cinema de tensão (basta lembrar «Cela 211») os espanhóis estão cada vez mais fortes e mais sábios…
O Melhor: Um verdadeiro novelo que requer toda a atenção do espectador
O Pior: Nada a apontar
*referência ao clássico de Abel Ferrara
| Jorge Pereira |

