Começou hoje no cinema São Jorge a Syfy Fest – 3ª Mostra de Cinema Fantástico, um evento com algumas caras conhecidas na audiência, muitas hospedeiras e bastante champanhe e iguarias à descrição. De notar que esta abertura ocorreu com forte adesão (mas longe de uma enchente), ainda que como Chavarrias disse, «O Benfica tivesse a jogar» à mesma hora.
O cineasta, apresentado por Rui Pedro Tendinha, fez um pequeno discurso, não falando muito do filme, «até porque consta que ele não gosta muito de apresentar a obra. No final seguiam-se algumas perguntas e depois ainda viria um cocktail.
O SyFy Fest – 3ª Mostra de Cinema Fantástico prolonga-se até 18 de março no cinema São Jorge, em Lisboa.
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«Dictado»
«Dictado» foi um verdadeiro OVNI em Berlim. Raras são as vezes que os filmes de género têm acesso aos grandes festivais de cinema e a sua maioria acaba por fazer é uma longa carreira nos festivais de cinema fantástico. Por cá, «Dictado» acabou por surgir na Mostra SyFy, mas apesar de ter uma premissa com muito espaço para manobra, acabou por se revelar um thriller rotineiro que só realmente se afasta dos demais filmes pela confrontação entre o vilão e a vítima e o facto de não sabermos qual deles é quem.
Daniel é um homem que aceita tomar conta de Julia, filha de um amigo, que se suicidou. Juntamente com a sua companheira, Laura, os dois vão conseguindo que a pequena Julia ganhe um novo alento da vida, mas há qualquer coisa na criança que faz Daniel recordar um passado que já tinha enterrado (esta palavra assenta aqui como uma luva) – uma partida que no passado que correu muito mal e que resultou numa verdadeira tragédia e na morte de Clara, a irmã do amigo (agora falecido) de Daniel.
O filme embala então num enredo que vão sugerindo que podemos estar numa obra de cariz paranormal, mas paralelamente posiciona tudo na própria mente traumatizada de Daniel, criando assim (e instigando) a dúvida no espectador. Na verdade, e como acima já tinha dito, tudo isto podia ser trabalhado de uma maneira bastante eficaz, mas para isso a fita tinha de se assumir como uma viagem à mente de um homem martirizado que teria, muitos anos depois, de lidar com o passado tenebroso que apagara da memória. Porém, todos os caminhos escolhidos por Chavarrias visitam lugares comuns do género, fugindo este do terror de sustos e preferindo criar um foco de tensão entre as suas personagens que não funciona na sua plenitude. Aqui os atores também nada conseguiram acrescentar para mudar o sentimento geral da obra, cabendo – ainda assim – a Bárbara Lennie (a Laura) os melhores momentos, especialmente pelo seu instinto maternal.
Já demasiado vista é a postura da pequena Mágica Pérez (Julia), mal conduzida na abordagem da sua personagem, descaindo demais para as crianças pseudo assustadoras vistas em centenas de filmes.
Com isto «Dictado» acaba por falhar em quase toda a linha, sendo contudo um filme que entretém sem cansaço nos seus escassos 90 minutos.
O Melhor: A premissa
O Pior: Filme muito rotineiro no argumento e realização
| Jorge Pereira |
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