IFF Cartagena: «Heleno, O Príncipe Maldito» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

«Não sou um génio, apenas sei do que gosto: «Golos, cinturinhas e cadilacs». Assim se descreve Heleno de Freitas quando questionado por um jornalista em «Heleno, O Príncipe Maldito», um filme realizado por José Henrique Fonseca (O Homem do Ano) que tem Rodrigo Santoro como o protagonista.
 
Inspirado no livro «Nunca Houve um Homem como Heleno» do jornalista Marcos Eduardo Neves, o filme segue a vida de Heleno de Freitas, um ex-jogador de futebol do Botafogo, Vasco da Gama , América e Boca Juniores, muito famoso nos anos 40, e que se envolveu numa vida de excessos (até tinha a alcunha de “Gilda”, a famosa personagem neurótica de Rita Hayworth no cinema), acabando abandonado por toda a gente (chegou a pedir esmola na rua) e a morrer de sífilis num sanatório aos 39 anos. E isso sabemos nós de antemão, pois Fonseca não opta apenas em carregar a sua obra com um preto e branco clássico e um design de produção apurado, mas também executa a gímnica comum neste género de cinebiografias, ou seja, mostra já o final da sua história e volta atrás para acompanhar alguns momentos da vida de um dos maiores símbolos do futebol brasileiro. 
 
{xtypo_quote_left} «Heleno, O Príncipe Maldito» acaba por triunfar dentro do género cinematográfico em que se enquadra, não sendo à toa algumas das comparações que a imprensa norte-americana fez com «O Touro Enraivecido» de Martin Scorsese{/xtypo_quote_left}Há porém algumas coisas que o espectador tem de estar avisado de antemão: se esperam uma história de vida muito detalhada então visitem o Google, pois Fonseca opta por abordar o jogador de forma peculiar, por vezes um pouco generalista até, mostrandos aquilo que o jogador transmite para quem o vê de fora e não por dentro. Curiosamente, é raro haver um filme sobre um desportista com tão poucas imagens do desporto em si, preferindo-se por vezes mostrar as brigas dos treinos e nos balneários, carimbando assim o feitio temperamental do craque. O mesmo se aplica com à vida pessoal do atleta, ainda que aqui sejamos compensados com mais detalhes do que à partida pensaríamos. Para além de acompanharmos o seu casamento e relação de Heleno com uma amante que não o consegue largar, somos também introduzidos a um homem muito paradoxal e complicado de entender, pois se por um lado parece que ele busca a glória (e não as vitórias), por outro é um apaixonado pela sua equipa, não sendo à toa que afirma que «não é jogador de futebol. É jogador do Botafogo» quando é forçado a sair do clube do seu coração.
 
Ainda assim, «Heleno, O Príncipe Maldito» demora a carburar, sendo o primeiro terço bastante plástico (prima pelo visual numa tentativa de impor um certo glamour da época) e com muito pouca substância. Porém, e à medida que a obra avança, o filme vai sendo preenchido com mais histórias de Heleno e é aqui que Rodrigo Santoro se solta, acabando por ser curioso que ele esteja melhor já na fase da decadência do que no momento «playboy» da sua vida. A ajudar Santoro na sua tarefa estão duas atrizes que têm prestações sólidas: tanto Alinne Moraes (O Homem do Futuro) como Angie Cepeda (O Amor nos Tempos de Cólera) cumprem bem a sua função, brilhando mesmo em alguns momentos.
 
Por tudo isto, «Heleno, O Príncipe Maldito» acaba por triunfar dentro do género cinematográfico em que se enquadra, não sendo à toa algumas das comparações que a imprensa norte-americana fez com «O Touro Enraivecido» de Martin Scorsese.
 
O Melhor: Rodrigo Santoro está brilhante no último terço do filme
O Pior: O início é demasiado plástico e com pouca substância
 
 
 Jorge Pereira
 

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