IFF Cartagena: «180 segundos» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
A certa altura de «180 segundos» alguém diz – apontando para a capa de um jornal – que a Colômbia é apenas telenovelas, sangue e futebol. Curiosamente, este projeto de Alexander Giraldo não passa de isso mesmo, mesmo usando uma capa plastificada e um visual apurado na sua construção.
 
Em «180 segundos» seguimos dois irmãos, Zico e Angie (na imagem acima), que lideram um grupo de assaltantes armados que a polícia persegue há algum tempo. Um dia eles planeiam um último roubo que os vai tornar (ainda mais) ricos e prontos para abandonarem essa vida. Para isso eles vão contar com a ajuda de dois homens recomendados por um grande amigo de Zico, que apesar de estar numa cadeia, ainda os recomenda para o trabalho. Ora serão estes três homens e uma mulher que vão elaborar o golpe, que já sabemos que correu mal, pois o filme faz questão de mostrar logo no seu início o final dos eventos.
 
Cabe então ao espectador preencher os espaços e entender a razão porque os «180 segundos» em que o assalto iria decorrer correram tão mal. Na verdade, este género de obras, que vai à frente e atrás nas história, quando bem construída (ao estilo Tarantino), capta e prende a atenção do espectador. Porém, Alexander Giraldo trata o seu filme forma telenovelesca, criando amores, desamores e traições típicas nos produtos sul-americanos, sem nunca esquecer o tratamento piegas dado aos momentos dramáticos (onde nem sequer falta a música para acentuar o melodrama). Ainda assim, os atores desta obra cumprem bem a tarefa, mas o argumento é tão ingenuamente (!?) carregado de «Twists» e «pieguices» (especialmente o último terço do filme) que o espectador perde o interesse e acaba por rir inadvertidamente num momento teoricamente frenético e emocionante.

O Melhor: A realização de Giraldo é frenética
O Pior: O último terço é profundamente piegas ao estilo das novelas sul-americanas
 
 
 Jorge Pereira
 

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